Obs. - Este apontamento é reprodução (digitalizada) de texto publicado em Cadernos Vianenses (Tomo 50, 2016, pp. 179-193). Outros apontamentos sobre a presença de Viana do Castelo (cidade, concelho, distrito) na obra de Camilo, também neste blogue hão de ser reproduzidos.
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terça-feira, 28 de janeiro de 2020
Obs. - Este apontamento é reprodução (digitalizada) de texto publicado em Cadernos Vianenses (Tomo 50, 2016, pp. 179-193). Outros apontamentos sobre a presença de Viana do Castelo (cidade, concelho, distrito) na obra de Camilo, também neste blogue hão de ser reproduzidos.quinta-feira, 22 de junho de 2017
CAMILO &M
VIANA
[1857: “velha” como “nova” (26)]
Este
“post” é continuação do anterior. Além das observações nele anotadas, talvez
seja conveniente fazer mais algumas.
Antes
de mais, a reafirmação de Camilo em vir para Viana, apesar das dúvidas (pressu)postas
por José Barbosa e Silva (JBS), em carta(s) ou conversa(s) anterior(es) que se
desconhecem. «Sou menos versátil do que me conceituas» - como que replica o
Escritor. O seu crescente enojamento
(social, certamente; afetivo, provavelmente) por certa gente do Porto é argumento para manter o seu interesse no Aurora e por casa em Viana. Veja-se, não
obstante, como deposita toda a confiança no amigo, quanto à localização da casa,
circunstâncias físicas e condições para a saúde: a tua resolução será a minha, remata.
Depois,
lembrar que entre as coisas pequenas e
indispensáveis, de que deseja incumbir
JBS, em princípios de setembro de 56, estaria a estante para os livros, referida na carta transcrita no “post” de 16/06.
A
filha do epistológrafo, já o paciente
leitor sabe quem é: Bernardina Amélia. E D.
Isabel é a freira do Convento de S. Bento da Avé Maria, no Porto, amante do
Escritor e madrinha (educadora) da
menina. [(Re)ver “posts” de 10/05 e de 24/05] Camilo, perante a proximidade
da sua projetada e desejada vinda para Viana, deve ter dito algo que levou
Isabel Cândida Vaz Mourão a profetizar
que iria, em breve, ser abandonada. Perante o (pres)sentido sofrimento da
amante, Camilo está disposto a não
transigir, isto é, que seja a amante a transigir.
Só que… logo veremos.
O Timbre era jornal que surgiu em Viana para rivalizar com o Aurora do Lima. Àquele periódico já me
referi nos “posts” de 15/06 e no anterior. A esta rivalidade não deve ser
estranha a orientação ideológica de um outro periódico. João Maria Batista de
Oliveira, «major de artilharia na guarnição de Viana, foi um dos fundadores e
redactor» do Aurora. Abandonou esta função
«precisamente um mês depois», em janeiro de 1856. De sua autoria é o editorial
do n.º 1 (15/12/1855) deste jornal.
Este
major é quem assina, juntamente com E. Furtado Coelho, o editorial do n.º 1 de O Timbre, saído em 02/07/1856. E, «na
primeira e segunda páginas deste primeiro número», publica ainda um artigo,
intitulado «Parte Religiosa».
Esta
efémera folha (terminou a sua publicação
em 21/10/1856) timbrava por se
assumir «jornal religioso, político e comercial». A ordem dos qualificativos
não é, certamente, arbitrária. Ressalta da leitura destes textos uma clara
oposição à orientação editorial do Aurora.
[Cf. VIANA & BARROSO, 2009: 78-79
e 506-507. Ver também CABRAL, 1984 (I): 113, a propósito desta rivalidade
jornalística.]
Note-se,
de novo, como Camilo defende um jornalismo sério, feito por escritores graves, a ponto de, quando
necessário, responder às vilanagens de
outros. Concorda, também por isso,
com o aumento de páginas do Aurora,
desde que, sendo barato e bem cheio,
sirva para acabar com a farrapagem
provinciana.
Camilo revela ao amigo de Viana que se prepara uma revolta militar, a favor da
Regeneração, mas pede que o Aurora
dela não faça anúncio. O general (depois marechal) Ferreira é José
Gerardo Ferreira Passos (1801-1870) [Biografia]. O Saldanha é, o marechal João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira e
Daun, também conhecido como duque de Saldanha. [Biografia]. Trata-se de duas importantes figuras da história do Liberalismo, em
particular do conturbado período da Regeneração (1853-1868). Tempos
estes que o Escritor retrata em muita da sua obra romanesca, histórica e
jornalística.
E que
mais?
Haverá,
ainda, muitos “posts” sobre as relações de Camilo com o Aurora. No próximo, retranscreverei uma carta interessantíssima a
este respeito. E aparentemente negadora da tese que defendo. Se fosse a última
e a última palavra do Escritor sobre o assunto…
Até
ao próximo, então!
E
continue a (re)ler Camilo. Por exemplo: A
Bruxa do Monte Córdova (1867) ou Maria
da Fonte (1885).
Referências:
Além das indicadas no ”post” anterior:
VIANA, Rui A. Faria & BARROSO, António José, 2009: Publicações Periódicas Vianenses. Viana do Castelo: Câmara
Municipal de Viana do Castelo.
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Rui Viana
terça-feira, 20 de junho de 2017
CAMILO &M
VIANA
[1857: “velha” como “nova” (25)]
Eis
a carta (n.º 55) que, apesar de Alexandre Cabral a colocar depois da que transcrevi
e comentei nos dois últimos “posts” (n.º 54), deve, a meu ler, ser colocada
antes, na cronologia epistolar de Camilo para José Barbosa e Silva (JBS). Como
em breve procurarei mostrar. Assim, cá vai a referência
10ª)
MEU CARO BARBOSA.
[Dei as tuas ordens à D. Joana que as
cumprirá pontualmente. Ela foi feliz, e a tua casa recebe uma boa administradora.]
[*]
A minha resolução
definitiva em q[uan]to á ida para Vianna é feita desde que ta dei. Sou menos
versatil do que me conceituas. Os annos tem-me dado persistencia nas tenções, e
o enojo d’esta gente cresce de dia p[a]ra dia.
Em q[uan]to á casa
devo consultar-te: será máo gosto e terei de me aborrecer na aldeia? Convirá
melhor passar o inverno na cidade? Uma caza de campo terá as comodidades
precisas p[ar]a um homem emplasmado
(frase eufrasina)?[**] As distancias serão incompatíveis com a
m[inh]a saúde?
Vê tu isto. Entra
no amago das m[inh]as necessidades, e diz-me de la alguma coisa q[ue] seja uma
resolução. Estou pela tua.
Designada a casa,
tenho de te incumbir de certas coisas pequenas, que me são indispensáveis.
A minha filha está
boa; e D. Izabel soffre… parece q[ue] prophetisa. Ha de ser-lhe m[ui]to penosa
a m[inh]a sahida; mas é força transigir. Eu aqui asfixio.
Despreza essa villanagem
do “Timbre”. Organize-se, se é necessario combatê-lo, um jornal de boleeiros, e
depois la se avenham. Na escrivaninha do escriptor grave é ás vezes
indispensável o chicote; mas é preciso que as vergoadas encontrem uma cara onde assentem. Eu se la
estivesse, tinha dito isto, e mais nada. D’aqui em diante, lia o jornal na cluaca.[***]
Estás disposto a augmentar
a “Aurora”? Seria bom – dal-o barato – bem cheio – e acabar com essa farrapagem
provincial.
Prepara-se uma
revolta militar a favor da Regeneração. Deve haver pancada de cego. O general
Ferreira não transige com ela. Espera-se o Saldanha para comandar. Isto é
positivo; mas nada de o anunciar no jornal.
Ad[eu]s Recados a
teus manos do
(Foz,
7 de Setembro de 1856.)[****]
teu Camillo.
{BARBOSA, [1919]: 15-16. Respeitada grafias das edições consultadas.
Também em CABRAL, 1984 (I): 116 e em MOUTINHO, 2016 (III): 320-321}
[*] Barbosa
não transcreve este parágrafo. Alexandre Cabral transcreve, sempre, as cartas
em itálico.
O autor do Dicionário de Camilo
comenta que esta «amputação […] resulta da preocupação do coordenador [das Cem Cartas] em não desmentir o que
afirmara no Proémio […]: chamar-se Ana a governanta, quando na verdade ela se
chamava Joana.» E acrescenta: «O objectivo é evidente… e feio: apagar Ana
Plácido da existência de Camilo – nesta época.» [CABRAL, 1984 (I): 117]
É
sabido que Cabral é um dos biógrafos camilianos que defendem que a vinda do
Escritor para Viana, em 1857, foi uma estratégia para, com a cumplicidade de
JBS, se encontrar e conviver com a mulher de Manuel Pinheiro Alves, e não para
tomar conta da direção do Aurora do Lima.
Ana Plácida teria acompanhado, então, a irmã mais nova, Maria José, a quem teriam
recomendado os ares da foz do Lima, com o objetivo de se curar da doença dos pulmões que a afetaria.
Manuel
Tavares Teles, por sua vez, critica, negativamente, aquele comentário de
Cabral. Escreve:
«Alexandre
Cabral distingue uma D. Ana de uma D. Joana. / São a mesma pessoa. /
Percorrendo a obra de Camilo poder-se-ia apresentar uma centena de exemplos de
incongruências similares; mas, mesmo sem sair da correspondência Barbosa e
Silva, algumas se podem fornecer: / Chama ao estalajadeiro de Viana, Perna de
pau e Cara de pau. / Chama ao proprietário das diligências, João das Neves e
Sebastião das Neves. / Chama à governanta, D. Ana e D. Joana. / São dois nomes
tão consonantes e confundíveis como os outros pares que citei; aliás, Camilo
escreve, duas vezes, Ana e, apenas uma, Joana; Alexandre Cabral é que decidiu,
arbitrária e contra-intuitivamente, que o nome menos usado seria o correcto.»
[TELES, 2008: 181]
[**]
«Allusão á D. Eufrasia, hospedeira de Camillo.» [Anota, Barbosa, no rodapé 17,
p. 15] Ver, a propósito desta hospedeira, “post” anterior. Moutinho, que segue
a opinião de Cabral sobre a vinda de Camilo para Viana, diz, comentando esta
carta, que o «vocábulo eufrasina
refere-se a Carlota Eufrásia, a sua governanta». [MOUTINHO, 2016 (III): 321] Acontece,
porém, que o nome correto da hospedeira e amiga íntima de Camilo é Eufrásia Carlota
e não o inverso. Este camilianista deve ter trocado os nomes. Ou, então, estar
a misturar o nome da mãe com o da filha. É que esta D. Eufrásia era viúva e mãe
de uma menina chamada Carlota. [Cf.
CABRAL, 20032: 711 e FIGUEIRAS, 2010: 245]
[***]
«Por esta carta e pela anterior, vê-se que o enthusiasmo da lucta já por esse
tempo escandecia o animo combativo do futuro polemista.» [Nota 18, rodapé, p.
16, de Barbosa]. A propósito, será de lembrar que a produção polemística de Camilo começou
muito cedo. A primeira polémica (escrita, fora as físicas) em que se envolveu data
de 1849, com O Jornal do Povo. [Cf. CABARL, 1981 (I): 43-52 e 20032:
632]
[****]
Cabral não data esta carta da Foz,
tal como Moutinho, que lhe segue a transcrição. Todavia, Barbosa sabia
que, em 7 de setembro de 56, Camilo ainda lá se encontrava, a banhos, como se lerá em próxima
referência epistolar.
Para
não sobrecarregar, ainda mais, este “post”, fiquei-me pelas notas, a que
acrescentei alguns comentários. No próximo, fixar-me-ei no conteúdo desta carta
que mais diretamente diz respeito à cadeia de relações de Camilo com o Aurora do Lima.
Até
ao próximo, então!
E
continue a (re)ler Camilo.
Referências:
BARBOSA, Luís Xavier, [1919]: Cem Cartas de Camillo. Lisboa:
Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora.
CABRAL, Alexandre Cabral, 1981: Polémicas
de Camilo Castelo Branco - Vol. I. (Recolha, prefácio e notas de). Lisboa:
Horizonte.
-------------, 1984: Correspondência de Camilo Castelo Branco com
os Irmãos Barbosa e Silva – I. (Escolha, prefácio e comentários de).
Lisboa: Horizonte.
-------------, 20032: Dicionário de Camilo Castelo
Branco. Lisboa: Caminho.
FIGUEIRAS, Paulo de Passos, 2010: «Camilo e Ana Plácido – Alguns factos
inéditos da sua vida». Cadernos Vianenses
(Tomo 44). Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo; pp. 229-255.
MOUTINHO, José Viale, 2016: Camiliana
3 – Cartas Escolhidas de Camilo Castelo Branco. S/l: Círculo de
Leitores.
TELES, Manuel Tavares, 2008: Camilo e Ana Plácido. Episódios ignorados da
célebre paixão romântica. S/l: Caixotim.
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quinta-feira, 15 de junho de 2017
CAMILO &M
VIANA
[1857: “velha” como “nova” (21)]
Ora, por que
razão, os artigos de Camilo, sobre economia
política, não foram transcritos no Aurora
do Lima?
No excerto
seguinte, encontra-se a resposta, retirado de uma carta para José Barbosa e
Sila (JBS), onde, a propósito, se lê mais uma referência ao tema que me vem
ocupando, a
6.ª)
[…] Nada tenho gosado
com o estudo de ferro que faço em coisas novas, e indispensaveis n’esta materialissima época. A proposito de art[ig]os
industriaes, sou de opinião que os não transcrevas, por que me despedi da Verdade, e tenciono não escrever senão
mais quatro. Os folhetins vão ser
completados no Clamor Público, jornal
que principia a sua ephemera carreira
no mez proximo, e p[ar]a o qual fui escripturado,
até fim de 7[sete]mbro. A rasão da mi[nh]a sahida da Verd[ad]e foi quererem-me mutilar o romance «Lágrimas…» em coisas
ortodoxas p[o]r que estes corruptos entendem que Deus e progresso são entid[ad]es
incompativeis. Tem-me feito cabellos brancos estes alarves[*]!
[… …
… … …
… … …
… … …
… … …
… … … …]
[Esqueci-me dizer-te que o desenho rápido da
casa é excelente.] [**] [Em carta datada de 24/07/1856]
{BARBOSA, [1919]: 11-12. Também
em CABRAL, 1984 (I): 106-107.
Respeitada grafia das edições consultadas.}
[*] Alexandre Cabral
transcreve «alvares».
[**] Este fragmento,
que se encontra no final da carta, foi ignorado por Xavier Barbosa. Já na carta
anterior, havia ignorado uma alusão à
casa. [(Re)ver “post” anterior.]
Os
artigos sobre economia política, designados
industriais nesta carta, não foram
transcritos no Aurora, porque Camilo deixou de escrever n’A Verdade. E despediu-se deste jornal, porque os corruptos (tenham sido eles, por hipértese ou não, alarves ou alvares), que mandavam no periódico, lhe mutilavam o Lágrimas
Abençoadas, romance que, em folhetins, o Escritor vinha também publicando, no
mesmo jornal. Tal como os da «Peregrinação sobre a Face do Globo», recorde-se.
De
(re)ler é, também, para uma explicação mais desenvolvida e exemplificada dessas
razões, segundo a perspetiva do Escritor, a interessantíssima «Carta ao
Proprietario do “Clamor Publico”», Faria das Regras. Júlio Dias da Costa
compilou-a em Dispersos de Camillo (Vol.
II), que, na nota final, informa: «Esta carta foi publicada no Clamor
Público, de 15 de Setembro de 1856». E mais: «Nesse
número, o primeiro do jornal, e só nêle, figura como redactor principal A. B. S. Faria J. das Regras».
E, além de outros mais, ainda este mais, a propósito do Clamor Público: «Nos primeiros números aparece Camilo na
lista dos redactores, com Evaristo Basto, Alexandre Braga e Coelho Lousada.» [COSTA, 1925: 501-507 (carta) e 507 (nota). Também em MOUTINHO, 2016: 241-245]
Regresso ao Lágrimas. Camilo
começou a escrever, a publicar e a ver interrompida a primeira versão deste
romance, então com o título «Temor de Deus» / «Contos Morais», em 1852. A
versão definitiva era a que estava a ser publicada no Verdade. Apesar das vicissitudes por que passou, este romance, «religioso
na essência» - avisa o romancista, dirigindo-se «A quem o ler», em 1853
[BRANCO, 19064: 5 e 10] - acabou por sair em livro, em 1857. [Cf. CABRAL, 20032: 424-425]
Na verdade, o
Verdade, e não só o Clamor, como na carta previa Camilo,
tiveram uma existência efémera. O
primeiro viu a luz em 17/09/55 e apagou-se em 27/12/56. [Cf. CABRAL, 20032: 804]. O segundo durou apenas um ano:
15/09/56 a 30/09/57. [Cf. COSTA,
1925: 528]
Na
carta-folhetim ao proprietário do Clamor, o Escritor
promete ao seu «caro amigo Faria Regras» a seguinte colaboração:
Começarei
publicando a Peregrinação sobre a face do
globo, já principiada noutro jornal. / A sensação que ella fez no paiz, e a
ancia com que pelo mesmo é esperada a conclusão do meu utilíssimo trabalho,
garante ao teu jornal um bôa colheita de assignaturas. [Cf. COSTA, 1925: 505. Respeitada a grafia da edição consultada.]
O outro
jornal, já sabemos, é A Verdade, que
Camilo, satírico, classifica como «sotão, humido e mal-cheiroso», de onde diz
ter saído, «há pouco», «com rheumatismo moral, e estonteamentos de cabeça.» [Cf. COSTA, 1925: 501].
E
mais abaixo, acrescenta:
Depois
da Peregrinação, dou-te um romance,
intitulado: UM HOMEM DE BRIOS: está ligado a outro romance que podes comprar em
casa de Cruz Coutinho; chama-se: ONDE ESTÁ FELICIDADE. / Verás que a felicidade
está no dinheiro, ainda que seja falso.
[Id.: 505-506]
E
remata, assim, o seu compromisso de colaboração com o Clamor:
De
mistura com estas coisas, irão alguns folhetins, se m’os inspirar a praia da
Foz do Douro, onde vou todas s manhãs estudar os segredos do caranguejo, curar
uma paralysia d’alma, e quebrar as pernas nas pedras escorregadias. [Id.: 506-507]
Repare-se
no estudo de ferro que Camilo faz das
coisas novas e indispensáveis [à
profissão de jornalista e escritor, está implícito] nesta materialíssima época.»
De
volta à casa, que bom seria rever o
desenho de que fala na carta. Seria aquela em que o Escritor morou, há 160 anos
(07/04 a 29/05/57), ali junto da capela de S. João d’Arga, na encosta do Monte
de S.ta Luzia, e que foi, há uma dezena de anos [?], destruída?!... Uma
vergonha cultural! Mais uma!
Entretanto, vamos continuando a ler e a entender.
Até ao próximo!
E continue a
(re)ler Camilo.
Referências:
BARBOSA, Luís Xavier, [1919]: Cem Cartas de Camillo. Lisboa:
Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora.
BRANCO, Camillo Castello, 19064: Lagrimas Abençoadas. Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira.
CABRAL, Alexandre Cabral, 1984: Correspondência de Camilo Castelo
Branco com os Irmãos Barbosa e Silva – I. (Escolha, prefácio e comentários
de). Lisboa: Horizonte.
-------------, 20032: Dicionário
de Camilo Castelo Branco. Lisboa: Caminho.
COSTA, Júlio Dias da, 1928: Dispersos
de Camillo (Vol. II). Coimbra: Imprensa da Universidade.
MOUTINHO, José Viale, 2016: Camiliana
3 – Cartas Escolhidas de Camilo Castelo Branco. S/l: Círculo de Leitores.
domingo, 30 de abril de 2017
CAMILO &M VIANA
[1857: “velha” como “nova” (04)]
Ora
cá estou, de novo, para apresentar, transcrevendo-as, mais duas referências (terceira,
já de seguida; quarta, no fim deste “post”) que Camilo faz, nas cartas para o
amigo José Barbosa e Silva (JBS) à tal «D. Isabel Cândida (a freira)».
[(Re)ver as duas referências anteriores, em RODRIGUES, 2017 e 2017a.]
Em carta datável de 18 de dezembro
de 1855, o Escritor, logo após a saudação inicial, informa o seu grande amigo vianês:
Não tens já
o Album em teu poder, p[o]r q[ue] mo pediu para vê-lo D. Isabel Candida. Irá
dep[oi]s de ámanhan.
[Barbosa,
[1919]: 4-5. Também em Cabral, 1984 (I): 96]
JBS terá solicitado, certamente por
carta, o tal álbum. E tê-lo-á feito com insistência, face às cartas em que Camilo justifica a sua não
devolução, indicando, ao mesmo tempo, as razões por que não corresponde aos
pedidos do amigo. [Cf. Cabral, 1984
(I): 79; 81; 83 (e Barbosa, [1919]: 115); 91 (e Barbosa, [1919]: 118]
O
álbum terá sido levado, um dia, para
o Porto, pelo seu proprietário. Os amigos de ambos (Camilo e JBS) terão
querido vê-lo e lê-lo. O Escritor continuava a incentivar e a apoiar a inclinação
do amigo vianês para a escrita jornalística e literária, publicando-lhe folhetins e poemas, em jornais de Lisboa
e Porto, de que era colaborador ou mesmo diretor. [(Re)ver, em RODRIGUES, 2014]
Também,
desta vez, Camilo não pode satisfazer o pedido. O álbum encontrava-se nas mãos da sua amiga freira rica. Em carta datável do
mesmo mês de dezembro de 1855, mas posterior a 18, o Escritor sossega, enfim, o
amigo de Viana:
O teu álbum está em meu poder.
Não to mando, sem ordem. Bem pode ser que venhas ao Porto, e quererás tê-lo
aqui.
[Cabral,
1984 (I): 97. Barbosa, [1919], não reproduz esta carta.]
Este
álbum será, possivelmente, aquele em que,
na primeira visita que fez aos irmãos Barbosa e Silva, na Páscoa de 1853, Camilo
deixou dois textos: um em prosa e outro em verso. [(Re)ver, em RODRIGUES, 2013 e 2013a.] Desse particular caderno
deveriam constar outros escritos, do próprio, mas também de outros escritores
e/ou jornalistas, de quem seria amigo.
É
natural que, nos encontros que mantinha com Isabel Cândida, Camilo tenha
falado da vocação para as letras de
JBS. Daí que a freira tivesse ficado interessada em também conhecer o álbum do amigo do seu especial amigo.

Mas
o que era um álbum, em meados do
século XIX?
Eduardo
de Faria, no seu dicionário, diz que álbum
era nome que se dava, por esse tempo, a certos livros, mais ou menos ricamente
encadernados, que eram «um caderno de
papel branco, destinado a receber as producções dos artistas: prosa, versos,
desenho, musica, etc.». [Faria, 18502 (vol. I): 240] Assim deveria
ser, mais ou menos luxuoso, o álbum de
JBS.
Já
agora, permitam-me que lhes recorde, a propósito, um soneto que Camilo publicou,
em 1886, em Boémia do Espírito. O
poema encontra-se no final do subcapítulo «Delicta Senectutis Meaæ» (traduzo:
«Delitos da Minha Velhice») e tem o título de «Rabugice», seguido da indicação
«(N’um Album)». O Escritor põe em contraste o uso e a função que os poetas
faziam dos álbuns, nos seus tempos de
juventude e nos tempos da sua "velhice". Ou seja, entre um período de
cerca de meio século (princípios de 1840 vs.
finais de 1880). Eis o soneto:
Quando eu tinha as viçosas primaveras
do dono d'este escrinio de poesia,
era um pessimo poeta das chimeras
que são a luz dos antros d'esta orgia.
Os albums ja se usavam n'essas eras
que tão longe vão ja!... mas a magia,
as ardentes paixões, fortes, austeras,
não eram como são as de hoje em dia.
O album era um amigo, um confidente
que em si guardava a dor do padecente
como um crystal o aroma de um veneno.
O album é hoje um luxo, um chic inutil,
em que o poeta nos conta, chocho e futil,
como é que amava... quando era pequeno.
[BRANCO,
1886: Bohemia do Espirito. Porto:
Livraria Civilisação; p. 133. Respeitada grafia da edição consultada.]
A
quarta referência a «D. Isabel Cândida (a freira)», na correspondência de
Camilo com JBS, encontra-se na carta, datada de 2 de julho de 1856. Antes da
sequência discursivo-textual de despedida, o Escritor revela ao amigo o
seguinte:
Eu farei saber à D. Isabel
Cândida a tua recomendação e a do Luis. Pagam-lhe uma dívida. Ela pede-me que
te agradeça muito muito muito o livro – Lê e relê, posto que tem uma invencível
preguiça, contagiosa no Porto. É o maior elogio que ela pode fazer ao teu
romance.
[Cabral, 1984 (I): 102. Barbosa, [1919], não reproduz
esta carta.]
Tudo
leva a crer que as relações de amizade da freira com os dois irmãos Barbosa e
Silva, José e Luís, se tivessem, entretanto, desenvolvido e estreitado.
Certamente por intermédio e sob a proteção de Camilo, porque os amigos de meu amigo meus amigos são. O
prazer e dedicação com que Isabel Cândida, apesar de leitora preguiçosa, lê e agradece o livro de JBS é bem significativo dessa relação. De sublinhar a observação
de que «o maior elogio que ela pode fazer» ao romance do amigo de Viana, é lê-lo
e relê-lo.
O
livro referido no fragmento da carta é Viver para
Sofrer – Estudos do Coração, escrito e publicado por JBS. Dedicado aos irmãos,
o romance é precedido de um longo prefácio de Camilo, sem título [Branco, 1855: 5-16], mas
anunciado no frontispício como «juiso critico». Editado, no Porto, em 1855, o
volume, apesar de impresso, «nunca foi posto à venda» - esclarece Xavier
Barbosa, sobrinho do novel romancista – acrescentando que «os exemplares que apparecem
representam offertas». Barbosa considera, ainda, por um lado, que o prefácio de Camilo
é «extenso e encomiástico» e, por outro, que o romance do tio foi «composto no
estylo da época». [Barbosa, [1919]: 3-4, nota de rodapé].
Dedicarei,
oportunamente, um ou mais “posts” a este Viver para Sofrer – Estudos
do Coração e ao seu prefácio ou «Juízo crítico», que Camilo reuniu, depois,
no volume Esboços de Apreciações Litterárias,
onde figura com o título «José Barbosa e Silva / Viver para Soffrer /(Romance)» [Branco, 1865: 39-49]
Por
ora, registemos que amáveis e cordiais continuam as relações de amizade e convívio
de Camilo com «D. Isabel Cândida (a freira)». E, ainda que em menor grau, com os irmãos mais novos Barbosa e Silva.
Não
se esqueça, paciente leitor, de ir desenhando a imagem ou retrato de
Isabel Cândida, com base nas referências epistolares que desta nossa “irmã religiosa” faz o nosso Escritor ao nosso José Barbosa e Silva.
Até breve!
Referências:
BARBOSA, L. Xavier, [1919]: Cem
Cartas de Camillo. Lisboa:
Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora. [À entrada do livro, ao centro de
página ímpar (não numerada), encontra-se a seguinte informação: «A propriedade
d'este livro pertence ao CULTO CAMILIANO, por generosa dadiva do autor.»]
BRANCO, Camillo Castello, 1886: Bohemia do
Espirito. Porto: Livraria Civilisação.
----------------,
1865: Esboços de Apreciações Litterarias.
Porto: Viuva Moré.
---------------, 1855: [«Juiso crítico]», prefácio a BARBOSA, 1855: 5-16.
CABRAL, Alexandre, 1984: Correspondência de Camilo Castelo Branco com
os Irmãos Barbosa e Silva - I. (Escolha, prefácio e comentários de). Lisboa: Horizonte.
FARIA, Eduardo, 18502: Novo Diccionario da Lingua Portugueza […]
(Vol. I). [Lisboa]: Typographya Lisbonense de José Carlos d’Aguiar Vianna.
RODRIGUES,
David F., 2017: «CAMILO &M VIANA / [1857: “velha” como “nova” (02)»: http://vianacamilo.blogspot.pt/2017/04/camilo-viana-1857-velha-como-nova-02.html
-----------------,
2017a: «CAMILO &M VIANA / [1857: “velha” como “nova” (03): http://vianacamilo.blogspot.pt/2017/04/camilo-viana-1857-velha-como-nova-03.html
-----------------,
2014: «Viana & Camilo 008 / Camilo e os irmãos Barbosa e Silva [07]: http://e-ternoretorno.blogspot.pt/2014/01/viana-camilo-008.html
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2013: «Camilo & Viana 002 / Camilo e os irmãos Barbosa e Silva [01]: http://e-ternoretorno.blogspot.pt/2013/11/camilo-viana-002.html
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2013a: «Camilo & Viana 003 / Camilo e os irmãos Barbosa e Silva [01]»: http://e-ternoretorno.blogspot.pt/2013/11/camilo-viana-003.html
quarta-feira, 26 de abril de 2017
CAMILO &M VIANA
[1857: “velha” como “nova” (03)]
No
“post” anterior, transcrevi uma interessante carta de Camilo a José Barbosa e
Silva (JBS). [(Re)ver RODRIGUES, 2017a]
Datada
de 17 de agosto de 1855, nela, o amigo do Porto pede ao amigo de Viana que
diligencie uma «casa de quinta», nas vizinhanças desta cidade, para uma tal D. Isabel Cândida - «a freira», precisa Camilo, não
fosse o destinatário epistolar confundir esta com outras donas
de ambos também conhecidas -, casa essa para ela nela passar o mês de setembro e também,
a partir daí, «fazer ao Minho algumas excursões».
Informa
também Camilo que a Isabel Cândida não importava o preço nem as formas de
pagamento. Custasse o que custasse, as suas preferências iam por uma habitação rural
simplesmente mobilada, mas que não deixasse de ser «uma aposentadoria mais ou menos
romântica».
A
freira não viria sozinha. Acompanhá-la-iam três criados, dois do sexo feminino,
de «sofríveis fachadas», todavia.
Mas
não só: além da criadagem, também Camilo integraria (obrigatoriamente: «eu não vou se ela não vai») a comitiva da conventual.
Não obstante, ele ficaria hospedado no Cara
de Pau. Nesta estalagem prometia e estimava o Escritor que os três (ele, a
freira e o amigo) passassem, após opíparas almoçaradas, agradáveis momentos de lazer
e divertimento, de convívio e confraternização, condimentadas também por animadas conversas sobre
temas poéticos e literários.
[Já
agora, um pedido: sabe o meu
paciente leitor onde se situava a hospedaria Cara de Pau? Muito obrigado, desde já, pela informação.]
A
realizar-se esta excursão, seria a
segunda vez que Camilo visitaria, com alguma demora, as margens da foz do Lima.
A primeira, recordo, acontecera já na Páscoa de 1853. [(Re)ver RODRIGUES, 2013 e RODRIGUES,
2013a].
Acontece,
porém, que esta projetada e tão desejada visita de 1855 não se concretizou.
Porquê?
A
resposta encontra-se na carta que Camilo enviou, em 21 de agosto, a JBS:
MEU
CARO BARBOSA
Queira
Deus que o incommodo do teu Luiz[1] tenha passado. O nome que dás á
molestia, ao menos na terminação, faz-me crêr q[ue] a estas horas o doente está
em ligeira convalescença.
E,
portanto, Vianna está tocada! Já se não pode dizer que a virgem do Lima rirá
das impurezas das cidades corruptas. Assim o esperei. A bafaragem da Ásia
passará mais ou menos atravez de todos os ceos.
Já
agora não ponhas diligencias na acquisição da casa p[ar]a D. Isabel. O que ella
queria era fugir á colera: se lhe consta o mais pequeno incidente ahi, redobram
os sustos por que lhe falta la a assistencia dos medicos em q[ue] ella tem m[ui]ta
fé. Eu estou em identicas circumstancias. Decerto não irei, como tanto queria,
a banhos. Serei aqui testemunha (se não fôr parte no formidavel processo) da
espantosa destruição, cujo incremento há trez dias ameaça um formal assalto dos
q[ue] ultimam[en]te soffre a Espanha.
Lembrou-me ir p[ar]a Lx.ª [Lisboa], e tomar banhos em Cascaes; mas a estas
horas Lisboa reconheceu a invalidade das prevençoens do Moacho[2].
Hontem
fiz entregar 2 exemplares do teu romance[3] na Concordia e Braz Tisana.
Espero q[ue] os redactores digam a respeito d’elle o que deve dizer-se de um
bom romance. Quando queiras mandar alguns exemplares p[ar]a os rapazes, já sabes
q[ue] serão pontualm[en]te entregues.
Ha
duas noutes q[ue] o Ferrei[r]a (medico) me visitou ás 2 horas da noute. Suppuz
q[ue] tinha a colera: mas era imaginação, resultado de uma visita imprudente q[ue]
fiz ao hospital. Vivo mal. Sinto um torpor de corpo, um abatimento de alma q[ue]
parece uma profecia m[ui]to funebre…
Ad[eu]s[.]
Deixa-me sentir os teus cuid[a]dos por teu mano, e abraça-o da minha parte logo
que elle se levante. Poupa-te. Tem m[ui]tos cuidados hygienicos, e alapa-te em
Perre[4] logo q[ue] a invasão não seja equivoca.
Teu do coração
21 d’Agosto de 1855
Camillo C. Bran.co
[Carta reproduzida em BARBOSA, [1919]: 75-77.
Respeitei a grafia da edição consultada, exceto as formas abreviadas, tal como se encontra no autógrafo camiliano. Xavier Barbosa, aliás, regista, no «Proemio» às Cem Cartas de Camillo: «Na transcripção de todas estas cartas escrupulosamente se respeitou a ortographia constante das originaes». (Barbosa, [1919]: (s/paginação). A carta acima trasncrita encontra-se também em CABRAL, 1984 (I): 89.]
[1] Luís Barbosa e
Silva (1825-1892) era um dos quatro irmãos de JBS. Na crónica/folhetim «Peregrinação
sobre a Face do Globo», depois intitulada «Do Porto a Braga», reunida no volume
Duas Horas de Leitura, o Escritor
traça «o vulto moral» deste seu também grande amigo vianês. [(Re)ver Rodrigues, 2014]
[2]
«Moacho
(Matheus Cezario Rodrigues) Doutor em medicina pela Universidade e antigo fisico-mor
da India, era por aquelle tempo Fiscal do Conselho de Saude Publica do Reino.
Como tal, consoante o art.º 4.º da lei de saude de 3 de Janeiro de 1837,
competia-lhe ser o executor das deliberações do referido Conselho, e assignar a
correspondencia pelo mesmo expedida; e, assim, sem que elle tivesse qualquer
preponderancia sobre os seus outros collegas, só por Moacho apparecem
assignados os editaes destinados ao publico e as instrucções e conselhos
dirigidos ás auctoridades e corporações administrativas a proposito da colera
morbus que então assolava o Reino, sendo provavelmente estas medidas de
prophylaxia official as taes prevenções
a que Camillo na sua carta alude.» [Barbosa, [1919]: 76, nota de rodapé n.º 7.
Respeitada a grafia da edição consultada.]
[3] Trata-se do
romance Viver para Sofrer – Estudos do
Coração, escrito por JBS, com prefácio («Juiso Crtico») de Camilo, e
dedicado aos irmãos. Apesar de impresso, em 1855, o livro nunca foi posto à
venda.
[4]
«Quinta da Costa em S. Miguel de Perre; o mesmo prediosinho rustico que
prendera a attenção de Camillo, quando da sua estada em Vianna pela pascoa de
1853.» [Barbosa, [1919]: 77, nota de rodapé n.º 9. Respeitada a grafia da
edição consultada.]
«Mas
– perguntar-me-á o (im)paciente leitor – quem é essa freira? E que tem ela a
ver com Camilo (ou Camilo com ela), para assim viajarem juntos e juntos gozarem
um mês nas vizinhanças de Viana? E
logo e necessariamente numa romântica casa de quinta, apenas simplesmente mobilada?!...
Prevejo no leitor um sorrisinho malicioso.
Adiante!
Bem,
os autores que têm estudado a vida e a obra de Camilo, melhor dizendo, a vida
na sua obra e a obra na sua vida, referem os principais dados biográficos desta
D. Isabel Cândida. Poderia fornecer-lhes, aqui e agora, as referências
bibliográficas e/ou com base nelas redigir a biografia possível da senhora. Não
o farei.
Primeiro,
transcreverei (continuarei a transcrever) as cartas (na íntegra ou partes,
consoante o interesse estimado para o caso) em que Camilo fala a JBS desta
freira, que já sabemos ser materialmente rica, determinada de génio e evidente
amiga do Escritor. No final das transcrições, apresentarei, com base nas cartas
e nas informações dos biógrafos encartados, os traços principais da sua vida, em particular no que toca às relações com o Escritor.
Entretanto,
o leitor, com as informações epistolares fornecidas e/ou delas inferidas, irá construindo
uma imagem ou retrato desta nossa “irmã religiosa”. Que, depois, confrontará com a dos seus biógrafos, incluindo a minha.
Não me parece merecer comentários
adicionais a carta acima transcrita, escrita por Camilo em 21 de agosto de 1855, em
resposta a carta de JBS (criminosamente destruída, como as outras suas), datada de 19, que por sua
vez respondia à carta de 17.
(Como
eram rápidos, de facto, os correios, há mais de 150 anos!...)
No
próximo “post”, por isso, continuarei a apresentar referências à «D. Isabel
Cândida (a freira)», encontradas na correspondência de Camilo para o seu amigo
vianês José Barbosa e Silva.
Até lá, vá o leitor (re)lendo
Camilo. Por exemplo: se quiser ter uma visão geral e global da obra do
Escritor, nas suas diferentes facetas de artista e mestre da palavra, desde os chamados juvenilia, agarre-se à coletânea Camiliana,
selecionada, prefaciada e anotada pelo escritor e camilianista José Viale Moutinho, edição do
Círculo de Leitores, em quatro grossos e densos volumes, de que já se encontram
disponíveis os três primeiros. Nos vols. 1 e 2, encontrará «Todos os contos, novelas
curtas e romances breves»; no vol. 3, «Cartas Escolhidas»; para o vol. 4 estão anunciados «Crónicas, textos polémicos e artigos escolhidos».
Referências:
BARBOSA, L. Xavier, [1919]: Cem
Cartas de Camillo. Lisboa:
Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora. [À entrada do livro, ao centro de
página ímpar (não numerada), encontra-se a seguinte informação: «A propriedade
d'este livro pertence ao CULTO CAMILIANO, por generosa dadiva do autor.»]
BRANCO, C. C., 18582:
«Do Porto a Braga», em Duas Horas de Leitura. Porto: Cruz Coutinho.
CABRAL, Alexandre, 1984: Correspondência de Camilo Castelo Branco com
os Irmãos Barbosa e Silva - I. (Escolha, prefácio e comentários de). Lisboa: Horizonte.
RODRIGUES,
David F., 2017: «CAMILO &M VIANA / [1857: “VELHA” COMO “NOVA” (01)»: http://vianacamilo.blogspot.pt/2017/04/camilo-viana-1857velha-como-nova-01.html
------------,
2014: «Camilo & os irmãos Barbosa e Silva [12] em Duas Horas de Leitura
(1857) [II]: http://vianacamilo.blogspot.pt/2014/11/015.html
------------,
2013a: «Camilo & Viana 003 / Camilo e os irmãos Barbosa e Silva [01]»: http://e-ternoretorno.blogspot.pt/2013/11/camilo-viana-003.html
----------, 2013: «Camilo & Viana 002 /
Camilo e os irmãos Barbosa e Silva [01]: http://e-ternoretorno.blogspot.pt/2013/11/camilo-viana-002.html
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