Mostrar mensagens com a etiqueta Xavier Barbosa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Xavier Barbosa. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 28 de junho de 2017

CAMILO &M VIANA
[1857: “velha” como “nova” (28)]


Já lá vão alguns dias sobre a publicação do “post” anterior. Será recomendável, por isso, fazer-lhe uma visita. Caso, evidentemente, julgue necessário. Lembro que, nele, (re)transcrevo, na íntegra, uma longa e interessantíssima carta de Camilo para José Barbosa e Silva (JBS), datável de 11 de setembro de 1856. Carta que, depois da habitual saudação/tratamento de abertura, arranca assim, retoricamente perguntando:

Causa-te espanto uma carta minha depois de outra que ontem receberias?

É provável que o amigo destinatário tenha sentido, de facto, espanto. Mas não tanto pela receção, no mesmo dia ou dias seguidos, de duas cartas do Escritor. Nem mesmo pela cena, emocionalmente vivida com D. Isabel Cândida, a freira, sua amante, agravada por ter acontecido na presença da inocente Bernardina Amélia, sua (dele) filha natural.
A meu ler, o motivo principal do presumido espanto de JBS seria outro, bem outro. Como, possivelmente, será de cada um de nós, face às espectativas de bom sucesso da sua vinda, em breve, para Viana, perante o conteúdo das cartas anteriores. Camilo, não obstante, de um dia para outro, comunica ao seu grande amigo que já não virá, embora se manifeste disposto e disponível a ser, do Porto, o novo diretor do Aurora do Lima.
Mas o presumido espanto de JBS (e nosso) mais nítido se torna, lendo com atenção as tais duas cartas anteriores à de 11 de setembro. E analisando-as, verifica-se que a sua sequência cronológica e correspondente numeração não pode ser a que Alexandre Cabral lhes dá. Não foi por acaso que Xavier Barbosa não compilou uma dessas cartas, precisamente aquela que melhor explicaria a razão do espanto ou inesperada surpresa.
Referencio, no quadro seguinte, as três cartas em causa, com base nas edições publicadas:

CARTAS
DATA
RESPOSTA
EDIÇÃO
“POST”

Não compilada por Xavier Barbosa
N.º 54
[Setembro de 1856]
14/09/56
CABRAL, 1984 (I): 114-5  
VIII
(Foz, 7 de Setembro de 1856)
N/ indicada
BARBOSA, [1919]: 156
N.º 55
[7 de Setembro de 1856]
»
CABRAL, 1984 (I): 116

IX
(Foz, 11 de Setembro de 1856)
N/ indicada
BARBOSA, [1919]: 16-9
N.º 56
[11 de Setembro de 1856]
14/09/56
CABRAL, 1984 (I): 116

É de espantar (para continuarmos no âmbito deste sentimento) que Alexandre Cabral proponha que Camilo escreveu  carta n.º 54 num dia incerto de setembro de 56. Todavia, no comentário que faz a esta mesma carta, diz que dela, além de inédita, viu o respetivo autógrafo e, mais, que nele está «a indicação de: “R. em 14. Viana”.» Decodificando esta última citação, o camilianista esclarece, a exemplo de outras semelhantes, que, na carta n.º 54, JBS anotou ter respondido à referida carta, de Viana, no dia 14 (de setembro de 56, como é contextualmente pressuposto).
Assim, como pode esta carta ter sido escrita em qualquer dia desse mês de setembro? É evidente que foi entre 1 e 13. Repare-se, porém, que é no mesmo dia 14 que, segundo informa Cabral, José Barbosa e Silva responde à carta n.º IX ou 56, datável de 11 de setembro.
E é altura de recordar o excerto do espanto acima transcrito. A «outra carta que ontem receberias» só pode ser a carta n.º 54. E se a recebeu ontem, ou seja, a 10 de setembro, só pode ter sido escrita no dia 8 ou 9. Aliás, é nesta carta 54 que Camilo faz declarações que só podem ser entendidas como respostas a perguntas ou questões postas na carta n.º VIII ou 55, datável de 7 de setembro, mas em cujo autógrafo Cabral não encontrou (ou omitiu) a anotação de JBS lhe ter respondido.
Ora leia-se e compare-se:

CARTA N.º 54 [Setembro de 1856]
CARTA N.º VIII ou 55 [07-09-1856]
Convenho no teu alvitre a respeito da casa. O local indicado é excelente, mas não venha a aguar-me o prazer do horizonte o nevoeiro, prenhe de catarros. Se eles são frequentes, será melhor avizinhar-me dos montes. Não o sendo, faz-me locatário de alguma dessas casas.
Em q[uan]to á casa devo consultar-te: será máo gosto e terei de me aborrecer na aldeia? Convirá melhor passar o inverno na cidade? Uma caza de campo terá as comodidades precisas p[ar]a um homem emplasmado […]? As distancias serão incompatíveis com a m[inh]a saúde?
Vê tu isto. […] diz-me de la alguma coisa q[ue] seja uma resolução. Estou pela tua.
Enquanto a móveis, se em Viana se vendem os indispensáveis para uma mobília económica, é mau governo levá-los de cá. Se eu quisesse uma decoração rica, então sim  […]. Quantum habeo mecum porto. O que é indispensável é mandares-me fazer uma estante para livros, de pau barato (castanho ou pinho) […]. Coisa de dois patacos o máximo.
Designada a casa, tenho de te incumbir de certas coisas pequenas, que me são indispensáveis.
Enquanto ao anunciar-se o aumento, e redacção nova do jornal, faz o que achares mais conveniente a bem do jornal.
Estás disposto a augmentar a “Aurora”? Seria bom – dal-o barato – bem cheio – e acabar com essa farrapagem provincial.

Resumindo e concluindo (este "post"): estas duas cartas trocam de posição na sequência cronológica por que são ordenadas por Alexandre Cabral.

Já agora, por que razão Xavier Barbosa não compilou a carta n.º 54? A meu ler, para, também assim, proteger a imagem pública do seu venerado Camilo. Trata-se de uma carta onde o Escritor mostra aceitar e concordar, em definitivo, com as condições de, enfim, vir para Viana e aqui redigir e dirigir o Aurora do Lima. Na carta IX ou 56, Camilo nega parte do pactuado com o generoso amigo. Afinal, o cavalheiro seria, de facto, versátil, apesar de na carta (ainda) n.º 55 replicar que já não o era. Pelo menos tanto quanto o conceito que dele fazia(m).
Camilo, porém, mostra-se disponível e disposto, não só, para continuar a escrever para o jornal vianês, mas também a aumentar e a diversificar a sua colaboração. Bastaria que (contento-me) que lhe pagassem o mesmo que a um qualquer redator que para Viana viesse.
E depois? Como se chegou a 7de abril de 1857?

Até ao próximo!
E continue a ler Camilo!

Referências:
BARBOSA, L. Xavier, [1919]: Cem Cartas de Camillo. Lisboa: Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora.
CABRAL, Alexandre, 1984: Correspondência de Camilo Castelo Branco com os Irmãos Barbosa e Silva - I. (Escolha, prefácio e comentários de). Lisboa: Horizonte.

terça-feira, 20 de junho de 2017

CAMILO &M VIANA
[1857: “velha” como “nova” (25)]


Eis a carta (n.º 55) que, apesar de Alexandre Cabral a colocar depois da que transcrevi e comentei nos dois últimos “posts” (n.º 54), deve, a meu ler, ser colocada antes, na cronologia epistolar de Camilo para José Barbosa e Silva (JBS). Como em breve procurarei mostrar. Assim, cá vai a referência

10ª)

MEU CARO BARBOSA.

[Dei as tuas ordens à D. Joana que as cumprirá pontualmente. Ela foi feliz, e a tua casa recebe uma boa administradora.] [*]
A minha resolução definitiva em q[uan]to á ida para Vianna é feita desde que ta dei. Sou menos versatil do que me conceituas. Os annos tem-me dado persistencia nas tenções, e o enojo d’esta gente cresce de dia p[a]ra dia.
Em q[uan]to á casa devo consultar-te: será máo gosto e terei de me aborrecer na aldeia? Convirá melhor passar o inverno na cidade? Uma caza de campo terá as comodidades precisas p[ar]a um homem emplasmado (frase eufrasina)?[**] As distancias serão incompatíveis com a m[inh]a saúde?
Vê tu isto. Entra no amago das m[inh]as necessidades, e diz-me de la alguma coisa q[ue] seja uma resolução. Estou pela tua.
Designada a casa, tenho de te incumbir de certas coisas pequenas, que me são indispensáveis.
A minha filha está boa; e D. Izabel soffre… parece q[ue] prophetisa. Ha de ser-lhe m[ui]to penosa a m[inh]a sahida; mas é força transigir. Eu aqui asfixio.
Despreza essa villanagem do “Timbre”. Organize-se, se é necessario combatê-lo, um jornal de boleeiros, e depois la se avenham. Na escrivaninha do escriptor grave é ás vezes indispensável o chicote; mas é preciso que as vergoadas encontrem uma cara onde assentem. Eu se la estivesse, tinha dito isto, e mais nada. D’aqui em diante, lia o jornal na cluaca.[***]
Estás disposto a augmentar a “Aurora”? Seria bom – dal-o barato – bem cheio – e acabar com essa farrapagem provincial.
Prepara-se uma revolta militar a favor da Regeneração. Deve haver pancada de cego. O general Ferreira não transige com ela. Espera-se o Saldanha para comandar. Isto é positivo; mas nada de o anunciar no jornal.
Ad[eu]s Recados a teus manos do

(Foz, 7 de Setembro de 1856.)[****]
teu Camillo.
{BARBOSA, [1919]: 15-16. Respeitada grafias das edições consultadas.
Também em CABRAL, 1984 (I): 116 e em MOUTINHO, 2016 (III): 320-321}

[*] Barbosa não transcreve este parágrafo. Alexandre Cabral transcreve, sempre, as cartas em itálico.
O autor do Dicionário de Camilo comenta que esta «amputação […] resulta da preocupação do coordenador [das Cem Cartas] em não desmentir o que afirmara no Proémio […]: chamar-se Ana a governanta, quando na verdade ela se chamava Joana.» E acrescenta: «O objectivo é evidente… e feio: apagar Ana Plácido da existência de Camilo – nesta época.» [CABRAL, 1984 (I): 117]
É sabido que Cabral é um dos biógrafos camilianos que defendem que a vinda do Escritor para Viana, em 1857, foi uma estratégia para, com a cumplicidade de JBS, se encontrar e conviver com a mulher de Manuel Pinheiro Alves, e não para tomar conta da direção do Aurora do Lima. Ana Plácida teria acompanhado, então, a irmã mais nova, Maria José, a quem teriam recomendado os ares da foz do Lima, com o objetivo de se curar da doença dos pulmões que a afetaria.
Manuel Tavares Teles, por sua vez, critica, negativamente, aquele comentário de Cabral. Escreve:
«Alexandre Cabral distingue uma D. Ana de uma D. Joana. / São a mesma pessoa. / Percorrendo a obra de Camilo poder-se-ia apresentar uma centena de exemplos de incongruências similares; mas, mesmo sem sair da correspondência Barbosa e Silva, algumas se podem fornecer: / Chama ao estalajadeiro de Viana, Perna de pau e Cara de pau. / Chama ao proprietário das diligências, João das Neves e Sebastião das Neves. / Chama à governanta, D. Ana e D. Joana. / São dois nomes tão consonantes e confundíveis como os outros pares que citei; aliás, Camilo escreve, duas vezes, Ana e, apenas uma, Joana; Alexandre Cabral é que decidiu, arbitrária e contra-intuitivamente, que o nome menos usado seria o correcto.» [TELES, 2008: 181]
[**] «Allusão á D. Eufrasia, hospedeira de Camillo.» [Anota, Barbosa, no rodapé 17, p. 15] Ver, a propósito desta hospedeira, “post” anterior. Moutinho, que segue a opinião de Cabral sobre a vinda de Camilo para Viana, diz, comentando esta carta, que o «vocábulo eufrasina refere-se a Carlota Eufrásia, a sua governanta». [MOUTINHO, 2016 (III): 321] Acontece, porém, que o nome correto da hospedeira e amiga íntima de Camilo é Eufrásia Carlota e não o inverso. Este camilianista deve ter trocado os nomes. Ou, então, estar a misturar o nome da mãe com o da filha. É que esta D. Eufrásia era viúva e mãe de uma menina chamada Carlota. [Cf. CABRAL, 20032: 711 e FIGUEIRAS, 2010: 245]
[***] «Por esta carta e pela anterior, vê-se que o enthusiasmo da lucta já por esse tempo escandecia o animo combativo do futuro polemista.» [Nota 18, rodapé, p. 16, de Barbosa]. A propósito, será de lembrar que a produção polemística de Camilo começou muito cedo. A primeira polémica (escrita, fora as físicas) em que se envolveu data de 1849, com O Jornal do Povo. [Cf. CABARL, 1981 (I): 43-52 e 20032: 632]
[****] Cabral não data esta carta da Foz, tal como Moutinho, que lhe segue a transcrição. Todavia, Barbosa sabia que, em 7 de setembro de 56, Camilo ainda lá se encontrava, a banhos, como se lerá em próxima referência epistolar.

Para não sobrecarregar, ainda mais, este “post”, fiquei-me pelas notas, a que acrescentei alguns comentários. No próximo, fixar-me-ei no conteúdo desta carta que mais diretamente diz respeito à cadeia de relações de Camilo com o Aurora do Lima.

Até ao próximo, então!
E continue a (re)ler Camilo.

 Referências:
BARBOSA, Luís Xavier, [1919]: Cem Cartas de Camillo. Lisboa: Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora.
CABRAL, Alexandre Cabral, 1981: Polémicas de Camilo Castelo Branco - Vol. I. (Recolha, prefácio e notas de). Lisboa: Horizonte.
-------------, 1984: Correspondência de Camilo Castelo Branco com os Irmãos Barbosa e Silva – I. (Escolha, prefácio e comentários de). Lisboa: Horizonte.
-------------, 20032Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa: Caminho.
FIGUEIRAS, Paulo de Passos, 2010: «Camilo e Ana Plácido – Alguns factos inéditos da sua vida». Cadernos Vianenses (Tomo 44). Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo; pp. 229-255.
MOUTINHO, José Viale, 2016: Camiliana 3 – Cartas Escolhidas de Camilo Castelo Branco. S/l: Círculo de Leitores.
TELES, Manuel Tavares, 2008: Camilo e Ana Plácido. Episódios ignorados da célebre paixão romântica. S/l: Caixotim.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

CAMILO &M VIANA
[1857: “velha” como “nova” (24)]


Eis, hoje, os comentários ou observações que, a meu ler, merece a importante carta de Camilo para José Barbosa e Silva (JBS), transcrita no “post” anterior.
Parece estar para breve a vinda do Escritor para Viana, a fim de se dedicar, por inteiro, à direção d’A Aurora do Lima e aqui, para o efeito, nesta cidade fixar residência. E invoca, note-se, o que está pactuado (acordado) entre ambos.
Observe-se, todavia, como Camilo procura, desde logo, assegurar a independência jornalística, sua e do jornal. Ele sabia que o destinatário pertencia a uma das famílias mais ricas de Viana. Sabia também que, desde janeiro de 56 (juntamente com o irmão Mateus e José Afonso Espregueira), era um dos coproprietários do Aurora. [Cf. VIANA & BARROSO, 2009: 47] Além disso, sabia que o dileto amigo vianês era filiado no partido progressista. Certamente por isso e a propósito, coloca à sua consideração duas pertinentes questões, ainda que diga não pretender coagi-lo:

i) A Aurora não deve ser jornal faccioso.
ii) Por mais útil que o jornal se faça, eu penso que ele será sempre um consumidor de capital improdutivo. Vejo uma rebentação de jornais provincianos que há-de fanar-se toda à míngua de seiva. Pensa nisto, se não pensaste ainda.

Outro assunto importante desta carta diz respeito à casa. O Escritor diz concordar com a localização proposta, mas receia os nevoeiros frequentes. Daí que, a tal se verificar, preferir avizinhar-se dos montes. É muito provável que esta casa se situasse lá para as bandas da Argaçosa ou Meadela. Ainda não é a de S. João d’Arga, vizinha do Monte de Santa Luzia. Camilo voltará a questionar a localização da casa, na próxima carta, que, a meu ler, deve ter sido escrita antes da que temos ora em consideração.
Repare-se, entretanto, como Camilo está decidido a deixar o Porto e instalar-se, em Viana, de armas e bagens («Quantum habeo mecum porto = Comigo vai tudo o que tenho»). E com ele viria também D. Eufrásia, a sua generosa hospedeira, amante e dedicada amiga, a quem designava também por «La Florêt em 3.ª mão».
Camilo refere-se a D. Eufrásia em mais quatro cartas. Na primeira, datada de 03/05/1853, escreve, a dado passo, que o seu espírito se sente enojado com o muito pasto da mesma impressão. Já não digere, por isso, os indigestos carinhos desta sua amiga íntima, precisando, portanto, de segundas ou vigésimas núpcias, caso contrário, bestializa-se. {Cf. Barbosa, [1919]: 106 e Cabral, 1884 (I): 62} As três cartas restantes, em que se refere a Eufrásia (Carlota de Sá, seu nome completo), são posteriores à carta transcrita no “post” anterior. Na devida altura, apresentarei outros dados sobre as relações de Camilo com esta sua «hospedeira integral», como lhe chamou Aquilino Ribeiro. [RIBEIRO, 1961 (II): 57]

Camilo está, mais uma vez, disponível para ajudar o amigo do coração vianês a publicar, em jornais, a sua correspondência, isto é, cartas-folhetim, artigos, crónicas, poemas. Desde 1850, aliás, que o Escritor publicava e/ou apadrinhava a publicação de textos de JBS, em jornais de Lisboa e/ou do Porto. [(Re)ver “post” publicado, no blogue E-TERNO RETORNO, em 14/01/2014] Mas, agora, Camilo oferece-lhe as páginas d’O Clamor Público, de que é o redator literário, cujo 1.º n.º sairá em 15/09/56, como de facto aconteceu. É que, em carta datada de 24/07/56, informava JBS que a efémera carreira - Como o jornalista sabia, profissionalmente, do que falava! - deste periódico portuense teria início no mês próximo. Agosto, portanto. Mas, enfim, foi a meio de setembro.
A este efémero jornal já me referi em alguns “posts” recentes, a propósito da transcrição, no Aurora, dos folhetins da Peregrinação [sobre a face do globo], saídos, inicialmente, no jornal A Verdade e continuados, depois, no Clamor. [(Re)ver “post”, neste blogue, de 14/06/2017] Interessantes, no mínimo, são aquelas afirmações - irónicas, evidentemente - sobre os últimos capítulos da Peregrinação: que devem ser a mostarda de muitos narizes, por um lado, e que neles (capítulos) disse coisas que nem eu [ele] entende, por outro. Resta-nos (re)ler a narrativa/crónica «Do Porto a Braga», incluída, depois em Duas Horas de Leitura, em 1857, com segunda edição aumentada, em 1858. [Cf. BRANCO, 18582: 87-152].
Evaristo Basto, um dos redatores d’O Clamor Público, foi um dos peregrinos que, juntamente com os irmãos Luís e José BS, acompanharam Camilo na excursão ao Bom Jesus de Braga. [(Re)ver “post” de 09/06/2017]
Alexandre [José da Silva] Braga [Júnior] (1829-1895) e [António José Coelho] Lousada (1828-1859) foram escritores, jornalistas e amigos de Camilo. [Cf. CABRAL, 20032: 111 e 450]

Até ao próximo, então!
E continue a (re)ler Camilo.

Referências:
BARBOSA, Luís Xavier, [1919]: Cem Cartas de Camillo. Lisboa: Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora.
BRANCO, Camillo Castello, 18582: Duas Horas de Leitura. Porto: Cruz Coutinho, Editor.
CABRAL, Alexandre Cabral, 1984: Correspondência de Camilo Castelo Branco com os Irmãos Barbosa e Silva – I. (Escolha, prefácio e comentários de). Lisboa: Horizonte.
-------------, 20032Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa: Caminho.
RIBEIRO, Aquilino, 1961: O Romance de Camilo (Vol. II). Bertrand: Amadora.
VIANA, Rui A. Faria & BARROSO, António José, 2009: Publicações Periódicas Vianenses. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo.

sábado, 17 de junho de 2017

CAMILO &M VIANA
[1857: “velha” como “nova” (23)]


Eis a carta de Camilo para José Barbosa e Silva, anunciada no “post” anterior. Trata-se, de facto, de documento importante que mostra que o motivo e o objetivo principal por que o Escritor veio, em 07 de abril de 1857, para Viana do Castelo e, aqui, fixar residência, era redigir e dirigir editorialmente o jornal A Aurora do Lima. E, profissionalmente, ser remunerado pelos serviços prestados.
Aqui vai a sua transcrição, que corresponde à referência

9.ª)

Meu Barbosa

Convenho no teu alvitre a respeito da casa. O local indicado é excelente, mas não venha a aguar-me o prazer do horizonte o nevoeiro, prenhe de catarros. Se eles são frequentes, será melhor avizinhar-me dos montes. Não o sendo, faz-me locatário de alguma dessas casas.
Enquanto a móveis, se em Viana se vendem os indispensáveis para uma mobília económica, é mau governo levá-los de cá. Se eu quisesse uma decoração rica, então sim; mas eu suspeito muito que, retirando tu de Viana, me retire eu também com a D. Eufrázia (La Florêt em 3.ª mão) assentada na entrecarga dos livros. Quantum habeo mecum porto. O que é indispensável é mandares-me fazer uma estante para livros, de pau barato (castanho ou pinho) sem pinturas e sem vidraças – com 12 palmos de comprimento, 8 de altura, e seis repartimentos sendo o primeiro de 2 palmos, e outros progressivamente somenos. Coisa de dois patacos o máximo.
Enquanto ao anunciar-se o aumento, e redacção nova do jornal, faz o que achares mais conveniente a bem do jornal. Mas tu sabes que eu não tenho convicções políticas, e um jornal que se consagra a este ou àquele governo, não fará comigo grande negaça ao acolhimento público. A Aurora não deve ser jornal faccioso: interesses materiais em geral, e os do distrito em particular: guerra a todos os tropeços a esse desideratum, e execução das fórmulas representativas em toda a sua plenitude. Fora disto, é encher papel com a estulta glória de Horácio: nisi utile est quo facimus… Dá-me hoje para o latim.
E, ainda assim, por mais útil que o jornal se faça, eu penso que ele será sempre um consumidor de capital improdutivo. Vejo uma rebentação de jornais provincianos que há-de fanar-se toda à míngua de seiva. Pensa nisto, se não pensaste ainda. O que está pactuado entre nós não sirva de coacção.
A correspondência envia-ma que eu faço publicá-la onde quiseres; mas o Clamor Público que vai ter muitos assinantes aí, e sai no dia 15, será o melhor e mais digno dela. É redigido por E[varisto] Basto, Alex[andre] Braga, Lousada, e literariamente por mim. Lá vão recomeçar-se os folhetins da Peregrinação que não deram mais que 10 capítulos; mas os últimos devem ser a mostarda de muitos narizes. Com mil diabos, disse coisas que nem eu as entendo!
Sabes que estou muito doente? não te parece isto da linguagem da carta, pois não? Acredita que me levanto com febre para escrever-te. O venéreo traz-me estes nervos em completa desafinação. Adeus. Recados aos rapazes, e um abraço cordial ao Luís do teu

Camilo
[Setembro de 1856]
 {CABRAL, 1984 (I): 114-115. Respeitada grafia da edição consultada.
Não transcrita em BARBOSA, [1919]}

Deixo, para o próximo “post”, os comentários que julgar mais pertinentes sobre este documento. Devo, todavia, observar, desde já, que Alexandre Cabral data esta carta de «Setembro de 1856». Todavia, é fácil verificar que foi escrita e enviada antes do dia 15. Camilo diz, nela, que O Clamor Público «sai» (1.º n.º) neste dia. Além disso, Cabral anota, no seu comentário à carta, que JBS registou, no respetivo autógrafo, ter respondido ao amigo, no dia 14 do mesmo mês («“R[esposta] em 14. Viana”»). [Cf. CABRAL, 1985 (I): 115] Terá sido escrita, portanto, também antes deste dia. Mas, a meu ler, as cartas seguintes ajudarão a melhor datar esta 9ª referência epistolar, sobre o Aurora e conexos, quando lhes dedicar os “posts” correspondentes.

Até ao próximo, então!
E continue a (re)ler Camilo.

Referências:
BARBOSA, Luís Xavier, [1919]: Cem Cartas de Camillo. Lisboa: Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora.
CABRAL, Alexandre Cabral, 1984: Correspondência de Camilo Castelo Branco com os Irmãos Barbosa e Silva – I. (Escolha, prefácio e comentários de). Lisboa: Horizonte.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

CAMILO &M VIANA
[1857: “velha” como “nova” (22)]


Mais duas referências de Camilo, relacionadas com o Aurora, em duas carta para José Barbosa e Silva (JBS), antes da que será apresentada no próximo “post”. Longa carta, essa, e importante para a tese que defendo. Transcrevê-la-ei, por isso, integralmente. Por ora, vejamos a tais duas referências. Eis a

     7.ª)
O Cruz Coutinho manda para a imprensa, ou escriptorio da Aurora, alguns exemplares do romance, de que ele é editor, “onde está a felicid[ad]e?» Lê-o, e se o achares melhor q[ue] todos os outros, como penso que é[*], recomenda-o. A remessa do dinheiro liquidado deve ser feita a ele Coutinho. Quaesquer despezas que se façam diz elle que sejam deduzidas da importância dos livros, posto q[ue] elle ca pagou a conducção. Faz que seja annunciado algumas vezes p[o]r q[ue] me convem m[ui]to que se venda este p[ar]a o ter certo a compra dos ulteriores romances, indo eu p[ar]a ahi. {Excerto de carta datável de 14/08/1856[**]}
{BARBOSA, [1919]: 12-13. Respeitada grafia da edição consultada.
Também em CABRAL, 1984 (I): 109-110}
[*] Aqui, Xavier Barbosa coloca chamada para nota, a fim de citar e comentar referência de Alexandre Herculano, a propósito deste romance camiliano, no prefácio da 2.ª edição de Lendas e Narrativas. {Cf. BARBOSA, [1919]: 13, nota de rodapé 14. Cf. HERCULANO, 18582: VII}
[**] Alexandre Cabral data esta carta «por volta de 6/VIII/1856». E porquê? O grande camilianista responde já a seguir:

«Os exemplares de Onde Está a Felicidade? foram de facto recebidos e anunciados n’A Aurora do Lima. No n.º 96, de 9/VIII/1856 (na 1.ª p.): “Chegaram ao escritório desta redacção alguns exemplares do belo romance do nosso distinto amigo, o Sr. Camilo Castelo Branco, Onde Está a Felicidade? de que é editor Cruz Coutinho.” Etc. Os encómios, aliás merecedíssimos, preenchem mais três parágrafos. / No n.º 97, de 12/VIII/1856, saiu na 4.ª p. um anúncio informando que o romance se encontra à venda na redacção d’A Aurora do Lima, ao preço de 480 réis; anúncio que será repetido, conforme à solicitação de Camilo.» [CABRAL, 1984 (I): 110-111]

Assim sendo, datar esta carta de 14 de agosto, como fez Xavier Barbosa, não se coaduna com a cronologia destas novas no Aurora, nem destas cartas.

Repare-se naquele indo eu para aí, isto é, vindo Camilo para Viana. As “negociações”, entre o Escritor e JBS, sobre a futura redação do Aurora, devem, entretanto, ter prosseguido e desenvolvido. Os dois amigos, ter-se-ão encontrado na Foz, onde Camilo se encontrava (ainda) a banhos e aí ter-se-á encontrado com Barbosa e Silva. [(Re)ver “post” publicado em 06/06/2017, 3.ª referência]
O Escritor agradece os referidos «encómios» ao Onde Está a Felicidade?, na carta seguinte. Que, por ser breve, ainda “cabe” neste “post”. É, portanto, a referência
                
8.ª)
Agradeço as lisongeiras linhas ao romance. Talvez se venda toda a edição, p[o]r q[ue] está livellado p[ar]a todas as capacid[ad]es.
[…   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …]
Vi, ha pouco, um art[ig]o “Duas palavras” bem escripto. Tinha visto o do Timbre[*] e estive quase a saltar da cama para receber com uma girandola de epigrammas o asno! Dá-lhe p’ra baixo [Excerto de carta datada de 16/08/1856.]
{BARBOSA, [1919]: 14. Respeitada grafia da edição consultada.
Também em CABRAL, 1984 (I): 111}
[*] Aqui, Xavier Barbosa coloca chamada para nota de rodapé, que transcrevo, já:

«O Timbre, jornal catholico de Vianna do Castello. Redactor e proprietario o Bacharel em Direito Francisco L. de Castro da Cunha Rego. – Typ. de André Joaquim Pereira. Rua da Picota, n.º 3 – Publicava-se ás Terças e Sextas de tarde. O primeiro n.º do Timbre sahiu em 3.ª-feira 1 de Julho de 1856. Teve, porem, o aludido jornal uma existência ephemera, pois só d’elle chegaram a publicar-se uns 30 numeros.» {BARBOSA, [1919]: 14, nota de rodapé 16. Também VIANA & BARROSO, 2009: 506-507]

Alexandre Cabral observa, por sua vez, que «entre o Aurora e o Timbre, as relações «nunca foram cordiais». Mas, neste fragmento, além, dos agradecimentos pelas «lisonjeiras linhas» sobre o romance Onde Está a Felicidade?, Camilo refere-se também, por um lado, a artigo publicado no Timbre e, por outro, à resposta que lhe deu o Aurora. Informa Cabral que, em Duas palavras a uma provocação, publicado neste jornal (n.º 98, de 14 /VIII/1856), «atacava-se o Visconde de S. Paio [d’Arcos de Val-de-Vaz], o detestado governador civil de Viana.» [CABRAL, 1984 (I): 113.]
Encontrámos já este Visconde, no “post” da referência 4.ª, publicado no dia 11/06/2017. E vai aparecer, de novo, em mais algumas referências epistolares futuras.

Até lá, até ao próximo!
E continue a (re)ler Camilo.

Referências:
BARBOSA, Luís Xavier, [1919]: Cem Cartas de Camillo. Lisboa: Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora.
CABRAL, Alexandre Cabral, 1984: Correspondência de Camilo Castelo Branco com os Irmãos Barbosa e Silva – I. (Escolha, prefácio e comentários de). Lisboa: Horizonte.
CASTELLO-BRANCO, Camillo, 1856: Onde Está a Felicidade?. Porto: Casa Cruz Coutinho, Editor.
HERCULANO, A., 18582: Lendas e Narrativas (Tomo I). Lisboa: Viuva Bertrand e Filhos.
VIANA, Rui A. Faria & BARROSO, António José, 2009: Publicações Periódicas Vianenses. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

CAMILO &M VIANA
[1857: “velha” como “nova” (21)]


Ora, por que razão, os artigos de Camilo, sobre economia política, não foram transcritos no Aurora do Lima?
No excerto seguinte, encontra-se a resposta, retirado de uma carta para José Barbosa e Sila (JBS), onde, a propósito, se lê mais uma referência ao tema que me vem ocupando, a

6.ª)
[…] Nada tenho gosado com o estudo de ferro que faço em coisas novas, e indispensaveis n’esta materialissima época. A proposito de art[ig]os industriaes, sou de opinião que os não transcrevas, por que me despedi da Verdade, e tenciono não escrever senão mais quatro. Os folhetins vão ser completados no Clamor Público, jornal que principia a sua ephemera carreira no mez proximo, e p[ar]a o qual fui escripturado, até fim de 7[sete]mbro. A rasão da mi[nh]a sahida da Verd[ad]e foi quererem-me mutilar o romance «Lágrimas…» em coisas ortodoxas p[o]r que estes corruptos entendem que Deus e progresso são entid[ad]es incompativeis. Tem-me feito cabellos brancos estes alarves[*]!
[…   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …   …] 
[Esqueci-me dizer-te que o desenho rápido da casa é excelente.] [**] [Em carta datada de 24/07/1856]
{BARBOSA, [1919]: 11-12. Também em CABRAL, 1984 (I): 106-107.
Respeitada grafia das edições consultadas.}
[*] Alexandre Cabral transcreve «alvares».
[**] Este fragmento, que se encontra no final da carta, foi ignorado por Xavier Barbosa. Já na carta anterior, havia ignorado uma alusão à casa. [(Re)ver “post” anterior.]

Os artigos sobre economia política, designados industriais nesta carta, não foram transcritos no Aurora, porque Camilo deixou de escrever n’A Verdade. E despediu-se deste jornal, porque os corruptos (tenham sido eles, por hipértese ou não, alarves ou alvares), que mandavam no periódico, lhe mutilavam o Lágrimas Abençoadas, romance que, em folhetins, o Escritor vinha também publicando, no mesmo jornal. Tal como os da «Peregrinação sobre a Face do Globo», recorde-se.
De (re)ler é, também, para uma explicação mais desenvolvida e exemplificada dessas razões, segundo a perspetiva do Escritor, a interessantíssima «Carta ao Proprietario do “Clamor Publico”», Faria das Regras. Júlio Dias da Costa compilou-a em Dispersos de Camillo (Vol. II), que, na nota final, informa: «Esta carta foi publicada no Clamor Público, de 15 de Setembro de 1856». E mais: «Nesse número, o primeiro do jornal, e só nêle, figura como redactor principal A. B. S. Faria J. das Regras». E, além de outros mais, ainda este mais, a propósito do Clamor Público: «Nos primeiros números aparece Camilo na lista dos redactores, com Evaristo Basto, Alexandre Braga e Coelho Lousada.» [COSTA, 1925: 501-507 (carta) e 507 (nota). Também em MOUTINHO, 2016: 241-245]

Regresso ao Lágrimas. Camilo começou a escrever, a publicar e a ver interrompida a primeira versão deste romance, então com o título «Temor de Deus» / «Contos Morais», em 1852. A versão definitiva era a que estava a ser publicada no Verdade. Apesar das vicissitudes por que passou, este romance, «religioso na essência» - avisa o romancista, dirigindo-se «A quem o ler», em 1853 [BRANCO, 19064: 5 e 10] - acabou por sair em livro, em 1857. [Cf. CABRAL, 20032: 424-425]
Na verdade, o Verdade, e não só o Clamor, como na carta previa Camilo, tiveram uma existência efémera. O primeiro viu a luz em 17/09/55 e apagou-se em 27/12/56. [Cf. CABRAL, 20032: 804]. O segundo durou apenas um ano: 15/09/56 a 30/09/57. [Cf. COSTA, 1925: 528]
Na carta-folhetim ao proprietário do Clamor, o Escritor promete ao seu «caro amigo Faria Regras» a seguinte colaboração:

Começarei publicando a Peregrinação sobre a face do globo, já principiada noutro jornal. / A sensação que ella fez no paiz, e a ancia com que pelo mesmo é esperada a conclusão do meu utilíssimo trabalho, garante ao teu jornal um bôa colheita de assignaturas. [Cf. COSTA, 1925: 505. Respeitada a grafia da edição consultada.]

 O outro jornal, já sabemos, é A Verdade, que Camilo, satírico, classifica como «sotão, humido e mal-cheiroso», de onde diz ter saído, «há pouco», «com rheumatismo moral, e estonteamentos de cabeça.» [Cf. COSTA, 1925: 501].
E mais abaixo, acrescenta:

Depois da Peregrinação, dou-te um romance, intitulado: UM HOMEM DE BRIOS: está ligado a outro romance que podes comprar em casa de Cruz Coutinho; chama-se: ONDE ESTÁ FELICIDADE. / Verás que a felicidade está no dinheiro, ainda que seja falso. [Id.: 505-506]

E remata, assim, o seu compromisso de colaboração com o Clamor:

De mistura com estas coisas, irão alguns folhetins, se m’os inspirar a praia da Foz do Douro, onde vou todas s manhãs estudar os segredos do caranguejo, curar uma paralysia d’alma, e quebrar as pernas nas pedras escorregadias. [Id.: 506-507]

Repare-se no estudo de ferro que Camilo faz das coisas novas e indispensáveis [à profissão de jornalista e escritor, está implícito] nesta materialíssima época
De volta à casa, que bom seria rever o desenho de que fala na carta. Seria aquela em que o Escritor morou, há 160 anos (07/04 a 29/05/57), ali junto da capela de S. João d’Arga, na encosta do Monte de S.ta Luzia, e que foi, há uma dezena de anos [?], destruída?!... Uma vergonha cultural! Mais uma!

Entretanto, vamos continuando a ler e a entender.

Até ao próximo!
E continue a (re)ler Camilo.

Referências:
BARBOSA, Luís Xavier, [1919]: Cem Cartas de Camillo. Lisboa: Portugal-Brasil Limitada, Sociedade Editora.
BRANCO, Camillo Castello, 19064: Lagrimas Abençoadas. Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira.
CABRAL, Alexandre Cabral, 1984: Correspondência de Camilo Castelo Branco com os Irmãos Barbosa e Silva – I. (Escolha, prefácio e comentários de). Lisboa: Horizonte.
-------------, 20032: Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa: Caminho.
COSTA, Júlio Dias da, 1928: Dispersos de Camillo (Vol. II). Coimbra: Imprensa da Universidade.
MOUTINHO, José Viale, 2016: Camiliana 3 – Cartas Escolhidas de Camilo Castelo Branco. S/l: Círculo de Leitores.