Continua-se, neste apontamento, a
apresentação – anotada – de artigos que Cláudio Basto, médico, professor e
investigador vianês, dedicou a Camilo1.
Neste apontamento, em 03.2., copia-se,
integralmente, a transcrição que Cláudio Basto faz da primeira carta que Camilo
dirigiu ao seu amigo e contemporâneo Henrique Guilherme Tomás Branco2,
com o objetivo de confirmar e/ou obter informações sobre José Maria Dias
Guimarães3, amigo e contemporâneo de ambos.
Tomás Branco e Dias Guimarães, jovens
estudantes na Academia Politécnica do Porto4, nos anos finais de
quarenta de oitocentos, foram condiscípulos e parceiros de Camilo, também das
noites da boémia portuense, e atores na representação das suas peças Agostinho de Ceuta e Marquês de Torres Novas.5
À biografia de Dias Guimarães, sempre dramática, tanto nos seus aspetos
positivos como sobretudo negativos, desde a juventude, de galã sedutor, a nível
pessoal e artístico, no convívio social e em palcos do Porto, até à velhice e morte,
mendigo e alcoólico, no Brasil, dedica Camilo a «crónica mensal de literatura amena» que, com o subtítulo de «Ruínas
/ O Dias da Feira», publicou no fascículo V de Serões de S. Miguel de Seide. «Crónica» onde, depois de referir «os
que já estão mortos», nomeia, entre os seus
atores ainda vivos, «o Henrique Guilherme Tomás Branco que dirige as
obras públicas do Porto».6
Regressando-se ao principal objeto (e
objetivo) deste apontamento, é de referir que, depois da «notícia informativa»7,
Cláudio Basto introduz, sumariamente, cada uma das três cartas. Reprodu-las, em
seguida, em fac-símile (zincogravura), fazendo, logo depois, a sua transcrição
em letra tipográfica, respeitando, todavia (na medida das condições técnicas
então existentes), grafia e linhas manuscritas
do autógrafo. Termina com um breve comentário, sobre cada uma das cartas.
Começa, logicamente, pela apresentação da
03.2. Carta I8
As
três cartas que se vão ler nada teem, como disse, que embace o brilho do
glorioso nome de Camilo{9}.
A
primeira, a pedir esclarecimentos para um trabalho literário, é como se segue
(2):
______________________________
(2)
Vai q sem til, na transcrição,
por não haver na tipografia q tilado.
Transcreve-se, de seguida, a carta, com
ortografia e pontuação atualizadas, e abreviaturas desenvolvidas. Por não
corresponder, assim, completamente à leitura que o investigador vianês reproduz
no seu «folheto», transcreve-se em tipo «palatino linotype» e itálico, incluindo
o sublinhado:
Meu prezado amigo!
Estou coligindo
reminiscências de coisas e pessoas da nossa mocidade. Tens de repetir uns
esclarecimentos que me deste, há 3 anos. Disseste-me que encontraras, em
Trás-os-Montes, numa feira, o Dias Guimarães (o Dias da Feira), teu
condiscípulo ou contemporâneo, na Politécnica. Este desgraçado morreu, no Rio
de Janeiro, em dezembro de 1884, mendigo e escalavrado pela doença e pela embriaguez.
Dize-me tu, em que
ano o viste? Em que feira? Em que negociava? Como trajava ele, e que
depreendeste do seu estado intelectual? Recordas algumas das suas expressões?
Se não te custar,
responde ao teu velho amigo,
Camilo
Castelo Branco
Teu do coração, 22/01/188611
Feita a reprodução desta primeira carta
que Camilo escreveu a Tomás Branco, Cláudio Basto comenta:
Os
esclarecimentos, porventura fornecidos, foram, naturalmente, aproveitados no V
volume dos SEROENS
DE S. MIGUEL DE SEIDE,
nas páginas consagradas a o Dias da Feira
(Capítulo CCCXCIX das «minhas memorias
d’alem túmulos» - Ruinas) (1), as quais teem a data de Janeiro de 1886, mês em que também a carta foi escrita. Aí, nesse
capítulo, se encontra, a pág. 12, citado «o Henrique Guilherme Thomaz Branco
que dirige as obras publicas do Porto» como um de «os que vivem dos executores
de alta justiça n’esses meus patíbulos» (pág. 11), como Camilo diz recordando a
representação de peças teatrais suas.
_________________________
(1) Pôrto 1886, págg.
7-22. {12}
O próximo apontamento será dedicado à
transcrição, anotada, da carta II por Cláudio Basto, cópia do autógrafo que
Camilo dirigiu, em 5 de dezembro de 1868, também a Henrique Guilherme Tomás Branco.
Notas
e referências
1 Resumo biobibliográfico e outras
referências a Cláudio Basto, em «0. Introdução», AQUI.
Sob o título genérico «Cláudio
Basto e Camilo», foram já publicados, neste blogue, além do referido, os
seguintes apontamentos:
- «0.1.
– “Notas Camilianas – I”», AQUI.
- «0.2.
– “Notas Camilianas – II”», AQUI.
- «0.3.
- «Três cartas de Camilo» e «0.3.1. –
“Três cartas de Camilo”: “notícia
informativa”», AQUI.
2 Alexandre Cabral traça,
no seu Dicionário, a biografia deste
«engenheiro civil» que participou «nas lutas da Patuleia», alcançando «o posto
de alferes», e foi «diretor de obras públicas». Cabral destaca, em particular,
as relações de camaradagem e amizade que Camilo manteve com Tomás Branco
(1827-1887). No final da respetiva entrada/verbete, encontra-se a única
referência que, em toda a sua vastíssima camiliana (ativa e passiva), o
reconhecido camilista faz ao investigador vianês: «As cartas do escritor
[Camilo para Tomás Branco] foram publicadas por Cláudio Basto, num opúsculo
intitulado Três Cartas de Camilo».
Regista, ao mesmo tempo, que «o espólio epistolar», trocado entre os dois
amigos, «é reduzidíssimo», sendo «conhecidas apenas 5 espécies (3 de Camilo e 2
de Tomás Branco)». E que estas últimas «encontram-se na Casa-Museu de Camilo,
em S. Miguel de Ceide», com os n.os 945 e 975», mas que «só a
primeira vem registada no Camilo
Homenageado», livro para cuja entrada/verbete remete.
Recorde-se, a
propósito, que Cláudio Basto, na introdução ao seu opúsculo, regista: «Muitas
outras cartas Camilo dirigiu a este seu grande amigo, mas delas não restam,
pelo menos que o Sr. Tenente-Coronel Branco saiba, mais do que as três que adiante
se reproduzem.» O «grande amigo» de Camilo é, como já se leu no apontamento
anterior, Henrique Guilherme Tomás Branco, pai de Alfredo Ernesto Dias Branco
(1862-1930?), proprietário dos três autógrafos epistolares camilianos que, «por
gentil assentimento» deste tenente-coronel de artilharia, o estudioso vianês
publica no seu «folheto».
BASTO, 1917a: 05
e/ou AQUI; CABRAL, 20032:
«BRANCO, Guilherme Henrique Tomás», 116-117 e id.: «CAMILO HOMENAGEADO»,
151-152]
3 Além do que, sobre este
seu amigo, é referido por Camilo, nesta carta e na «crónica» que publicou, no
fascículo V de Serões de S. Miguel de
Seide, Alexandre Cabral, com base, sobretudo, nesta fonte, resume a «vida
atribulada» de Dias Guimarães.
BRANCO, 1886 (V):
07-22]; CABRAL, 20032: «GUIMARÃES, José Maria Dias», 377-378 e id.: «ACADEMIA POLITÉCNICA DO PORTO»,
020.
4 Sobre a fundação desta
escola superior e sua frequência por Camilo, (re)ler CABRAL, 20032:
«ACADEMIA POLITÉCNICA DO PORTO», 020-021 e id.:
«ESCOLA MÉDICO-CIRÚRGICA DO PORTO», 310-311.
Julga-se caber,
nesta nota, o seguinte reparo: a Academia
Politécnica do Porto aparece incorretamente designada, por Emília Nóvoa
Faria, como «Politécnico do Porto», em livro recentemente publicado. A
imprecisão é tanto mais grave quanto se trata de citação do início da «crónica»
que, com o título, aqui abreviado de «O Dias da Feira», Camilo dedica a José
Maria Dias Guimarães, no fascículo referido na nota anterior. Compare-se e
avalie-se o rigor da leitura e transcrição que, para este efeito, se sublinha:
Cabe referir que a
citação e a nota de Faria dizem respeito a carta que António Cabral escreveu,
em 1921, a José de Azevedo e Menezes. Este Cabral agradece a oferta do volume Camilo Homenageado, que Menezes havia
organizado e editado, aproveitando a ocasião para «esclarecer algumas passagens
do livro», entre elas a que diz respeito ao «resumo» da carta n.º 945. Carta
esta que Tomás Branco dirigiu ao romancista, em resposta à primeira carta que
Cláudio Basto reproduz e comenta, no seu «folheto» Três Cartas de Camilo, e neste apontamento se transcreve e anota.
BRANCO, 1886 (V):
07; FARIA, 2018: 255 e 258, com a nota 294. O «resumo» da
carta foi inicialmente publicado em MENEZES et
al., 1921: 208, encontrando-se ora reproduzido em FARIA, 2018: 258, nota
293. Sobre o devotado e dedicado amigo de Camilo, o «famalicense ilustre» Azevedo
e Menezes, (re)ler CABRAL, 20032: «MENEZES, José de Azevedo e», 506, e FARIA, 2018: «José de Azevedo e Menezes, Guardião de Camilo», VII-XXIII.
5 Sobre a edição e
representação destas peças, (re)ler CABRAL, 20032: «AGOSTINHO DE CEUTA (T)», 023-024, e id.: «(O) MARQUÊS DE TORRES NOVAS (T)», 481-482. Leia-se também a nota seguinte (6).
6 BRANCO,
1886 (V): 11 e 12. Nesta «crónica» dos Serões,
Camilo recorda e elogia, com graça, o amigo ator, no seguinte trecho:
«O Dias representava em teatros particulares, umas
sociedades de amadores que alugavam o teatro de Liceiras e o de Santa Catarina e
o de S. João para as peças espaventosas. Os camarotes regurgitavam de mulheres bonitas,
frescas e coloridas quais enormes cabazes de camélias e jasmins, suspensos do
teto do teatro como os jardins de Semíramis, ou, melhor comparado, como o
jardim das Hespérides, por causa de algum dragão escondido no fundo dos camarotes.
E
todas amavam o Dias da Feira, o galã de todas as peças, que faiscava dos seus
rutilantes olhos faúlas para todos os corações. Que gentil cabeça! Que valente
peito! Que pisar rítmico! A trágica solenidade daqueles passos, o pé direito à
frente, o esquerdo arrastando-se nas pontas dos dedos! Os braços cruzados no
tórax, as espáduas encolhidas, a dentadura ferina a trincar um ah trépido, prolongado, rouco, numa
ondulação de trovoada remota! Que bom! Que pavores nas respirações suspensas do
auditório! Que bravos a rebentarem dos
peitos em gritos clamorosos, ao passo que as damas, num histerismo de lágrimas,
escondiam a sua dor por detrás das barrigas dos maridos, não menos emocionados!
Eu
tive um quinhão enorme das ovações do Dias. Ele executou no meu drama Agostinho Ceuta, o protagonista, e n’O Marquês de Torres Novas, a vítima da descaroada
Guiomar Coutinho (1849). Fomos ambos sublimes! Eu espatifava a gramática, a
história e o bom-senso. Ele espatifava os corações das plateias, remoendo nos
dentes as minhas frases até as fazer espirrar grumos de sangue às caras mais
insensíveis da Rua das Flores e travessas circunjacentes.» [BRANCO, 1886 (V):
09-11]
7 BASTO, 1917a: 05-06
e/ou AQUI.
8 O artigo de Cláudio
Basto é copiado, neste apontamento, na sua versão integral, se bem que
fragmentado em trechos, a que se dará, todavia, a devida conexão. Utiliza-se, na sua
transcrição, para ser visivelmente melhor reconhecido, o tipo «arial». A carta
encontra-se reproduzida em BASTO, 1917a: 07 (fac-símile zincogravado do autógrafo)
e 08 (transcrição do mesmo), ocupando, assim, páginas distintas. É, porém,
apresentada, neste apontamento, em paralelo (zincogravura vs. transcrição), a fim de se facilitar a sua eventual leitura
comparativa.
{9} Cláudio Basto era
contra a publicação de cartas e/ou trechos epistolares camilianos, através dos
quais se pudesse «embace[r] o brilho do glorioso nome Camilo». Retoma, aqui, o
tópico da sua tese, já exposta e desenvolvida na introdução das Três Cartas, segundo a qual «nada [se
deve publicar] que possa ferir a memória do Romancista». BASTO, 1917a: 05 e/ou AQUI.
{10} Na sua transcrição,
Cláudio Basto não respeita este espaço.
11 Traduz-se «T/C» por
«Teu do coração». Trata-se de forma de despedida epistolar, frequentemente
utilizada por Camilo, em cartas dirigidas a familiares e a amigos mais próximos
e estimados. Além disso, a sigla encontra-se também, na epistolografia camiliana, com
redação por extenso. Desde logo, como se lerá, na
despedida da carta III, dirigida ao mesmo destinatário. Além disso, encontra-se
também, por exemplo, na correspondência trocada com os seus
generosos e cordiais amigos de Viana, os irmãos Barbosa e Silva, José
(1828-1865) e Luís (1825-1892).
BARBOSA, 1919: 6 e passim, 47 e passim; CABRAL, 1984 (I): 44 e passim;
id.: (II): 130 e passim; id.: 20032:
66-68; id.:, 20032: «BARBOSA
E SILVA, José», 66-67, e id.: «BARBOSA
E SILVA, Luís», 67-68; VASCONCELOS, 1991 e 1999.
{12} Este breve comentário de Cláudio Basto a esta carta de
Camilo deve ser complementado com outras leituras. A começar, desde já, pela
narrativa referida e citada pelo investigador vianês, cujo título original
completo é «Capítulo CCCXCIX das “Minhas Memórias
de Além-Túmulo” // Ruínas – O Dias da Feira». É a primeira narrativa do
fascículo V de Serões de S. Miguel de
Seide, a cujos restantes outros seis fascículos (como à própria coletânea),
Camilo deu, em acordo, certamente, com o editor – Eduardo da Costa Santos (1840
– 1912) – o subtítulo Crónica mensal de
literatura amena – Novelas, polémica mansa, crítica suave de maus livros e maus
costumes, gráfica e ilustradamente rodeando o n.º de cada fascículo.
Aconselha-
se, a propósito da edição de Serões e
das relações que Camilo manteve com Costa Santos, (re)ler as cartas que o
escritor lhe dirigiu, correspondência de que José Viale Moutinho publicou uma
seleção, em Camiliana (vol. 3), com
«fonte» em CABRAL, 1988 (VI). A referida seleção pode ler-se em MOUTINHO (org.)
2016 (vol. 3): 187-219, mas, quanto às que dizem respeito à edição de Serões, (re)ler as cópias n.º 172 (pp.
208-209), 174 e 175 (pp. 210-211), 177 (pp. 212-213) e 183 (pp. 215-216).
Por ser considerada
a resposta de Tomás Branco à carta de Camilo, objeto deste apontamento, é de
(re)ler, não havendo possibilidade de se consultar o respetivo autógrafo, a sua
sinopse, publicada por José de Azevedo e Menezes, no volume Camilo Homenageado, com o n.º 945.
Datada de 14 de fevereiro de 1886, o «resumo» é apresentado sob a epígrafe «T /
Tomás Branco (Henrique Guilherme)», de que se apresenta a respetiva cópia:
«Carta em que [Tomás Branco] responde a
Camilo, dando-lhe informações de José Maria Dias Guimarães, negociante na cidade deste nome, e o qual o signatário
encontrou no ano de 1857, em Fermil, no concelho de Celorico de Basto, onde viu
o antigo contemporâneo de estudos a vender na feira fazendas brancas e
quinquilharias. Mais tarde o homem faliu, e lamentou-se àquele amigo de que
foram os desvarios de rapaz que lhe cortaram a carreira de engenheiro. Tem
notas a lápis de Camilo.» [MENEZES et al.
(org.), 1921: 208. Grafia atualizada. Este «resumo» foi recentemente transcrito
em FARIA, 2018: 258, nota 294]
Obs.
– É provável que, perante estes frontispícios da obra, Azevedo e Menezes,
perante o espólio camiliano recuperado e/ou adquirido, tenha decidido incluí-lo
na edição de Camilo Homenageado já impressa de 1920, publicando a sua edição
definitiva em 1921, com os respetivos «suplementos».
A
corresponder ao conteúdo da carta, verifica-se haver dados sobre a biografia de
Dias Guimarães que não coincidem, entre o narrado por Camilo e o informado por
Tomás Branco, nomeadamente quanto à naturalidade, apelidos e alcunha de «o Dias da Feira». Tendo-se, não
obstante, em consideração a data da carta do escritor – «22/1/86» – e a da redação
desta sua da «crónica mensal» – «Janeiro de 1886» –, por um lado, e a data da
carta-resposta do amigo Tomás Branco – «1886 -
Fevereiro, 14» –, por outro, será de inferir que Camilo não terá recebido, a
tempo, os «esclarecimentos, porventura fornecidos» pelo remetente, como sugere,
com relativa prudência, Cláudio Basto, no seu breve comentário. Cabe, ainda
observar que Alexandre Cabral regista, no seu Dicionário, que a Dias Guimarães, «Em 1885, Camilo traça-lhe a
biografia – muito acidentada […].» [CABRAL, 20032: «GUIMARÃES, José
Maria Dias», 377]
É
muito provável que o escritor, para a composição literária de «O Dias da Feira»
se tenha servido, por um lado, das recordações do intenso convívio (de boémia e
artístico), durante uma década (cerca de 1845 a 1855) e, por outro, de relatos
de (in)certos pormenores vividos, convividos e testemunhados por outros amigos
e conhecidos, contemporâneos de ambos. Como anota Camilo e esclarece, na
cena que a seguir se transcreve:
«Uma tarde [o Dias da Feira] entrou na loja do
livreiro-editor Cruz Coutinho. Vestia o seu casaco muito puído; mas limpo,
violentado a luzir sob a fricção da escova. Na lapela do casaco levava o hábito
de Cristo. Dizia ele a um seu patrício: Sinto
pejo de usar este hábito, quando tenho de dirigir-me a alguém a pedir socorro.(*)
O livreiro, que lhe tinha editado o Poder
do Ouro, cuidou que o dramaturgo ia fazer alguma proposta gananciosa. O
Dias Guimarães descobriu-se e disse: “Ainda hoje não comi: venho pedir-lhe uma
esmola.” O editor deu-lhe uma nota de 20$ réis.»
E o asterisco (*)
chama o seguinte rodapé: «Informações
do meu amigo António Moutinho de Sousa que o conheceu na suprema indigência.» [BRANCO, 1886 (V): 19-20]
Ora, perante o sumariamente exposto
neste apontamento, retire o paciente leitor as conclusões que, segundo os seus
critérios éticos e sobretudo estético-literários, julgar mais adequados e
pertinentes.
Bibliografia [grafia atualizada]
BARBOSA, L[uís] Xavier, 1919: Cem Cartas de Camilo. Lisboa: Portugal-Brasil Limitada.
BASTO, Cláudio, 1917: «Notas Camilianas – I», em Lusa [Ano I, n.º 2, de 01/04, Vol. I]. Viana do Castelo, p. 13.
------------, 1917a: Três
Cartas de Camilo. Viana do Castelo: Lusa.
------------, 1918: «Notas Camilianas – II», em Lusa [Ano II, n.º 41 e 42, de 15/11 e
01/12), Vol. II. Viana do Castelo, pp. 137-138.
BRANCO, Camilo Castelo, 1886 (V): Serões de S. Miguel de Seide – Crónica mensal de literatura amena:
novelas, polémica mansa, crítica suave dos maus livros e dos maus costumes.
Porto: Livraria Civilização de Eduardo da Costa Santos – Editor.
CABRAL, Alexandre, 1984 (I): Correspondência
de Camilo Castelo Branco com os Irmãos Barbosa e Silva. Lisboa: Livros
Horizonte.
------------, 1984 (II): Correspondência
de Camilo Castelo Branco com os Irmãos Barbosa e Silva e com Sebastião de Sousa.
Lisboa: Livros Horizonte.
------------, 1988 (VI): Correspondência de Camilo Castelo Branco com
Eduardo da Costa Santos. Lisboa: Livros Horizonte.
------------, 20032:
Dicionário de Camilo Castelo Branco (2.ª ed. «revista e aumentada»). Lisboa:
Caminho. [1.ª ed., 1989]
FARIA, Emília Nóvoa, 2018: Correspondência de José de Azevedo e Menezes
(1878-1933) – Volume I: Camilo Homenageado. Vila Nova de Famalicão: Húmus.
MENEZES, José de Azevedo et
al., 1921: Camilo Homenageado: o Escritor
da Graça e da Beleza. Famalicão: Tipografia «Minerva» de Cruz, Sousa &
Barbosa, L.da.
MOUTINHO, José Viale (org.) 2016: Camiliana: Cartas
Escolhidas de Camilo Castelo Branco (vol. 3). S/l: Círculo de
Leitores.