Obs.- Este apontamento é reprodução (digitalizada) de texto publicado em Cadernos Vianenses (Tomo 49, 2015, pp. 79-91). Outros apontamentos sobre a presença de Viana do Castelo (cidade, concelho, distrito) na obra de Camilo, também neste blogue hão de ser reproduzidos.
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
domingo, 28 de setembro de 2014
013. Camilo & Frei Bartolomeu dos
Mártires
em O
Senhor do Paço de Ninães (1867)
Depois de ter apresentado as referências explícitas que,
em Doze Casamentos Felizes (1861), Camilo
faz a frei Bartolomeu dos Mártires (ver aqui e aqui), apresento
neste post as que o Escritor faz ao
arcebispo bracarense e ilustre figura religiosa, cultural e social de Viana do
Castelo, então vila de Viana da Foz do Lima, no romance O Senhor do Paço de Ninães (1867).
A primeira referência explícita ao
célebre arcebispo, neste romance, encontra-se no seguinte
fragmento:
[Branco, 19195:
26-27]
Com a nota, Camilo cita a descrição
que, do «tronco da árvore», fizera frei Luís de Sousa [1984:77]:
O romancista já antes, no início
do cap. III do romance, se referira a esta grandiosa árvore que, baseando-se
de novo em Sousa, era «um façanhoso carvalho, cuja corpulencia anda celebrada
nas chronicas e corografias». {O Escritor remete, em nota, para A Vida do Arcebispo, liv.º 1.º, cap.
XIV, de frei Luiz de Souza e para a Corographia
[Portugueza (…)] de [Antonio] Carvalho [da Costa], tomo 1.º, pag. 329.} Consultei
a Corografia e, de facto, Carvalho da
Costa escreve, a dado passo: «Na Aldea de Rebordello, que antigamente se chamou
Reboredo, està a [casa] do Mestre de Campo Manoel Correa de Lacerda, senhor de
Fralães, & dentro do pateo tem hum grande carvalho, que o cobre todo, a
mais fermosa arvore para o intento de quantas tenho visto.» [Costa, 1706 (tomo
I): 329. Em O Senhor da casa de Ninães,
Camilo escreve «Roboredo» e «Farelães».]
A
segunda referência a frei Bartolomeu dos Mártires, em O Senhor do Paço de Ninães, é, ainda hoje, polémica: abordaa presunção
de falta de patriotismo do arcebispo e senhor de Braga e primaz das Espanhas,
aquando das lutas civis que então se travaram, após a morte do cardeal-rei D.
Henrique. Os portugueses dividiram-se em dois grupos antagónicos. De um lado, estavam
os adeptos de D. António, prior do Crato, «rei do povo» [Branco, 19195: 127]. Do outro, os que se lhe opunham (em
geral a alta nobreza e alto clero), aderindo ao partido (pretensões e interesses)
de Filipe II de Espanha. Interesses que, evidentemente, não seriam apenas deste
monarca, mas também daqueles que o seguiam e apoiavam. Eis
o fragmento:
Não
cabe, neste post, analisar a célebre polémica
do patriotismo de frei Bartolomeu dos Mártires. A questão tem sido tratada,
discutida e analisada, desde que surgiu, em 1866, entre, sobretudo, dois
jornais de Braga: O Partido Liberal,
por um lado, e O Bracarense, por
outro. Camilo participou ativamente, tomando a posição do primeiro periódico. A
polémica rebentou quando Joaquim Alves Mateus, «cónego da Sé de Braga», trata «frei
Bartolomeu de “vil traidor da Pátria e falsificador do sufrágio do povo”», na
crise nacional de 1580. [Cabral, 1989: 87-88] O povo, o baixo clero e a baixa
nobreza, apoiavam e queriam, em geral, D. António, prior do Crato, como rei de Portugal. Ao ser desencadeada por clérigo, é muito provável que a
referida polémica servisse também para manifestar as rivalidades e as intrigas
dentro da poderosa igreja bracarense. [Sobre esta controversa e polémica
questão, ver também Anselmo, 1992; Cabral, 1981: 7-61; Caldas, s/d e s/da; D’Albuquerque,
1895; Gomes, 1990:99-15; Junior, s/d; Machado, 1932:131-132; Sousa, 1984: cap.
XIII e XIV, Livro IV; pp. 496-505.]
Hei
de, em posts futuros, abordar, dentro
das minhas possibilidades, esta questão, quando tratar das relações que Camilo
travou com José Caldas, historiador vianês que também escreveu, por encomenda
do então arcebispo de Braga, D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa (franciscano),
uma nova biografia de frei Bartolomeu dos Mártires, a qual viria a gerar nova
polémica, em que também Camilo participou, em apoio do seu amigo vianês.
Para
ajudar a situar os fragmentos apresentados, convirá resumir O Senhor do Paço de Ninães, novela que
tem o centro narrativo na região do Baixo Minho, em particular Famalicão, mas alargando-se também a outras partes do país, da Europa e mesmo do Oriente (Índia
e Macau).
«Rui
Gomes de Azevedo, o senhor do Paço de Ninães, tem vinte anos em 1576 e ama uma
prima da mesma idade, Leonor {Correia de Lacerda que, “além de nobilíssima, era
rica, e sobre rica, formosa” [Branco, 19195: 12]}. O desgosto
causado pela traição desta [aos 15 anos haviam-se comprometido a casar aí pelos 20], que
vem a casar por conveniência com [outro primo] João Esteves Cogominho {“um
compêndio de vícios” [id.: 22]},
leva-o a participar na jornada de Alcácer Quibir (apesar de discordar das
conquistas de além-mar), com os primos António e João de Azevedo, aí sendo
feito cativo. Resgatado, e recusando a submissão a Castela, Rui dá o seu apoio
ao Prior do Carto, seguindo-o até à morte dele. Parte então para o Oriente, onde vive
anonimamente como mercador, primeiro, e como ermitão, depois. De regresso ao
Minho, em fins de 1622, como romeiro anónimo, inteira-se da infelicidade de Leonor, há anos entrevada e enlouquecida pelo remoroso de havê-lo traído; visita-a então e perdoa-lhe, revelando-lhe que nunca deixara de a amar. Morre em 1623, no Mosteiro de
Landim.» {R[ocheta], 2002: 561. Adaptado]}
O
enredo desta novela é muito mais complexo do que este breve resume mostra. As
relações afetivas entre os amantes, fiéis e/ou infiéis, andam estreitamente
ligadas aos conturbados tempos políticos em que decorrem. Não há como (re)ler a
romance para se saber como Camilo romanescamente relata e entrelaça tudo isto,
a nível amoroso, social, político e mesmo familiar. Aliás, vale a pena sempre
(re)ler Camilo, na diversidade da sua obra, se quisermos conhecer, não só romanescamente, como a uma primeira leitura poderá parecer, a história
portuguesa do século XIX, a nível antropológico, político e social.
Leituras
AA.VV., 2014: D. Frei Bartolomeu dos Mártires (Colectânea
de Textos). Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo. (Org. de
Rui A. Faria Viana).
ANSELMO, A., 1992: Entre Gigantes –
Camilo, José Caldas e Frei Bartolomeu dos Mártires. Viana do Castelo:
Centro de Estudos Regionais.
BRANCO, C. C., 1861: Doze Casamentos Felizes. Porto:
Tipografia da Revista.
------------------, 1919: O Senhor da
Casa de Ninães (5.ª ed.). Lisboa: Parceria A. M. Pereira.
CABRAL, A., 1981: Polémicas de Camilo Castelo Branco (Vol.
V). Lisboa: Horizonte.
----------------, 1989: Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa:
Caminho.
CALDAS, J., s/d: D. Frei Bartolomeu
dos Mártires. Coimbra: Coimbra Editora.
----------------, s/da: Vinte Cartas
de Camilo Castelo Branco (1876-1885). Porto: Companhia Portuguesa Editora.
COSTA, A. C. da, 1706: Corografia
Portugueza e Descripçam Topografica do Famosos Reyno de Portugal […] (Tomo
1.º). Lisboa: Valentim da Costa Deslandes.
D’ALBUQUERQUE, M., 1895: D. FR.
Bartholomeu dos Martyres e a Usurpação dos Filippes com as Cartas de Camillo
Castello Branco. Braga: Livraria Central.
FERRAZ, M. de L. A. (org.), 2002: Dicionário
de Personagens da Novela Camiliana. Lisboa: Caminho.
GOMES, P., 1990: «A Grande Refrega sobre o Patriotismo de D. Fr. Bartolomeu
dos Mártires (Textos de Camilo e de José Caldas)». Em, 1990: IV Centenário da Morte de Dom Frei
Bartolomeu dos Mártires (Actas do Colóquio Comemorativo). Lisboa:
Associação dos Arqueólogos Portugueses; pp. 99-153.
JUNIOR, J. C. A. M., s/d: Cartas
Notaveis de Camillo Castello Branco: O Patriotismo de Fr. Bartolomeu dos
Martyres / O Castello de Lanhoso / O Mosteiro de Tibães. Prto: Livraria
Universal.
MACHADO,J., 1932: «Uma carta de D. Frei Bartolomeu dos Mártires a El-Rei D.
Filipe II». Anuário do Distrito de
Viana-do-Castelo (vol. I). Viana-do-Castelo: Emp[resa]Gráf[ica] do
«Notícias de Viana», pp. 131.132.
R[OCHETA], M. I., 2002: «(O) Senhor do Paço de Ninães». Em FERRAZ, 2002:
561-565.
SOUSA, Frei Luís de, 1984: A Vida de
D. Frei Bertolameu dos Mártires (...). Lisboa: IN-CM.
NB –
Respeitou-se, nas citações, a grafia das edições consultadas. Fotografias colhidas na internete.
Etiquetas:
«O Senhora do Paço de Niães»,
Camilo,
Camilo & Viana,
David F. Rodrigues,
Frei Bartolomeu dos Mártires,
Prior do Crato,
Viana do Castelo
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
012. Camilo & Frei Bartolomeu dos Mártires
em Doze Casamentos Felizes (1861) [II]
A
segunda referência explícita de Camilo, em Doze
Casamentos Felizes, a Frei Bartolomeu dos Mártires, encontra-se logo no
início do sexto casamento, em dois momentos. O primeiro, mas longo, no
princípio do cap. I. O segundo, mais breve, no princípio do cap. II.
Trata-se
de trechos onde o Escritor mais elogiosamente se refere ao arcebispo, nomeadamente
quanto aos sacrifícios que praticava e a que voluntariamente se sujeitava, ora
como frade beneditino (que nunca quis deixar de ser nem sequer o hábito trocar
pelo de arcebispo) ora como prelado primaz, nas inúmeras visitas pastorais que
fez, mesmo a aldeias topográfica e humanamente mais difíceis, quase inacessíveis.
Como o Barroso, que Camilo também custosamente subiu e desceu, e cuja descrição
a seguir se lê.
[Branco, 1861:
115-117]
[Branco, 1861: 122]
NB1
- Torquemada
(Tomás de) [1420-1498] foi frade dominicano. Foi nomeado inquisidor-geral dos
reinos de Castela e Aragão e confessor da rainha Isabel, a Católica. Chamaram-lhe, por isso, O Grande Inquisidor. Consta que os autos-de-fé que mandou executar
rondam os 2 200. [Cf. Aqui]
NB2 – Frei Luís e
Sousa descreve as visitas de D. Frei Bartolomeu dos Mártires às terras de
Barroso, no Livro III, caps. V e VI. [Cf. Sousa, 1984: 334-339 e 340-344]
E agora, perguntar-me-á, naturalmente, o curioso
leitor: e do feliz casamento que conta?...
Claro
que só Camilo o sabe contar, melhor que ninguém. Dir-lhes-ei, todavia, que,
neste “conto”, dois jovens encontram-se fortuitamente, se enamoram e acabam por
casar. Ele, Bernardo Pires, era um jovem e rico fidalgo liberal do Alto Douro,
que, em 1832, andava a monte, fugido ao corregedor de Vila Real, por razões
políticas. Ferido e doente, chega a Viela e quer atravessar o Tâmega. Teresa,
irmã de António da Mó, barqueiro e dono de uma azenha, meteu-se no barquito,
atravessou o rio e foi buscá-lo. Acolheu-o, na choupana de dois quartos onde
vivia com o irmão. Cedeu-lhe o seu próprio quarto, cuidou dele e tão vigilante
e carinhosamente tratou dele que…
Isso
mesmo: o riquíssimo fidalgo Bernardo casou com a pobre, rude e corajosa Teresa
(que da Mó passou a Pires). Entretanto os ventos políticos
mudaram de rumo. E os dois foram felizes para sempre. É só ler o “conto” (que
não sendo, ainda parece de fadas), para confirmar.
Leituras
BRANCO, C. C., 1861: Doze Casamentos Felizes. Porto:
Tipografia da Revista.
CABRAL, A., 1989: Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa:
Caminho.
SOUSA, Frei Luís de, 1984: A Vida de
D. Frei Bertolameu dos Mártires (...). Lisboa: IN-CM.
NB3 – À exceção da
capa de Doze Casamentos Felizes, as restantes fotografias foram recolhidas na internete,
via google/imagens.
NB4 – Este post
continua o anterior,
cuja leitura se recomenda, em virtude de nele se apresentar uma brevíssima
sínteses da vida e obra do Beato D. Frei Bartolomeu dos Mártires, cujo V
centenário de nascimento se celebra neste ano.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
011. Camilo & Frei Bartolomeu dos Mártires
em Doze Casamentos Felizes (1861) [I]
Viana do Castelo está a celebrar o V centenário do
nascimento de uma das figuras mais ilustres, mais queridas e mais veneradas dos
vianeses: Beato Frei Bartolomeu dos Mártires.
Filho de Domingos Fernandes e de
Maria Correia, Bartolomeu nasceu, em Lisboa, na freguesia dos Mártires, a 3 de
Maio de 1514. Ingressou na Ordem de S. Domingos, aos 14 anos, tendo professado,
em 20 de novembro de 1529, com o nome religioso de Fr. Bartolomeu dos Mártires.
Estudante dedicado e aplicado, concluiu os estudos de filosofia, em 1532, e os de
teologia, em 1538. Já docente no Colégio de Lisboa, em Évora e em Lisboa, obteve
o grau de doutor, em Salamanca, com provas públicas, em 17 de maio de 1551. A
par da docência, foi precetor de D. António Prior do Crato.
Eleito arcebispo de Braga, em 3
de setembro de 1559, logo partiu para esta cidade, onde chegou, em 22 do mesmo
mês, tendo sido recebido sem as pompas habituais.
Participa na terceira fase do
Concílio de Trento (1562-1563), onde intervém ativa e polemicamente. Apresentou
268 petições, relacionadas sobretudo com os graves problemas, de vária ordem e
a vários níveis, por que a Igreja Católica então passava, em Portugal e na
Europa, e que eram de urgente correção e reforma. Regressado a Braga, logo
procurou pôr em prática as decisões conciliares tridentinas, divulgando-as, por
escritos, e pregando-as, nas inúmeras visitas pastorais que fez à extensíssima
arquidiocese, que ia do Alto Minho ao Nordeste transmontano. Neste vasto
território existiam, então, 1260 freguesias, cujos fiéis e membros do clero nem
sempre seguiriam os princípios da doutrina cristã e os preceitos do catolicismo.
Foi prelado durante mais de 22
anos. Em 22 de fevereiro de 1582, resigna ao episcopado. Passa a residir no Convento de Santa Cruz (hoje de S. Domingos) de Viana da Foz do Lima, por
ele mandado construir, bem como a igreja que lhe fica anexa, iniciados,
respetivamente, em 1561 e 1562. Faleceu em 16 de julho de 1590. Os seus restos
mortais encontram-se depositados em túmulo situado na capela-mor (lado direito)
da igreja vianesa de S. Domingos.
Tendo levado uma vida de humildade, desprendimento e simplicidade, como arcebispo e como frade, esteve sempre pronto e disponível a, generosamente, socorrer os mais necessitados, desprotegidos e aflitos, ganhando, por isso, ainda em vida, a fama de «santo». O papa Gregório XVI declarou-o Venerável, em 23 de março de 1845. Mais recentemente, a 4 de novembro de 2001, João Paulo II proclamou-o Beato.
Tendo levado uma vida de humildade, desprendimento e simplicidade, como arcebispo e como frade, esteve sempre pronto e disponível a, generosamente, socorrer os mais necessitados, desprotegidos e aflitos, ganhando, por isso, ainda em vida, a fama de «santo». O papa Gregório XVI declarou-o Venerável, em 23 de março de 1845. Mais recentemente, a 4 de novembro de 2001, João Paulo II proclamou-o Beato.
Pelas suas qualidades
religiosas, intelectuais, académicas, morais e sociais, por um lado, e pelo
desenvolvimento que promoveu em Viana, o Beato D. Fr. Bartolomeu dos Mártires é
justamente considerado uma das mais ilustres figuras de Viana do Castelo.
Abordarei, esta questão (patriotismo
ou não patriotismo de Frei Bartolomeu dos Mártires, surgida na segunda metade
do século XIX), em posts posteriores.
[Branco, 1861: 29]
Este primeiro casamento, feliz, como os restantes onze, apesar das contrariedades (diferenças
de idades, de status social, de estado
e até de religião) dá-se entre a viúva D. Cândida de Lima e Luís de Cernache.
Cândida era filha de um «grande fidalgo pobre» e viúva «de um marido velho, que
lhe deixou boa casa, e muitas frescuras de annos, e optima disposição para se
gosar de tudo isto.» Até à morte do pai, recolheu a um convento. Mas dele logo
saiu, indo «residir em uma das suas quintas», vivendo «sozinha com as suas
criadas.» Um dia, porém, bate-lhe ao portão Luís, «homem de trinta annos
feitos». Fora passar uns tempos a casa de uns tios a Trás-os-Montes, na
esperança de uma substancial herança. Ia recomendado a Cândida, por uma carta de
uma tia desta, que vivia no Porto. [Branco, 1861: 13,14 e 15]
O par
encontrou-se e ficaram logo apaixonados. Mais ela por ele que ele por ela. A
tal ponto que estava disposta a acompanhá-lo para Lisboa, decisão que ele recusou.
Está mesmo a ver-se, quem conhece a obra de Camilo, no que isto deu. E se não
se vê, façam o favor de ler este «Primeiro Casamento»: ficarão a saber que Luís,
regressado da capital, procurou Cândida, indo encontra-la num convento, tal
como se refere o fragmento acima apresentado, casa onde ela, desgostosa, se
tinha recolhido, logo quando Luís partira para Lisboa.
Sempre lhes
direi, todavia, que o casal de casados foi visto e discretamente admirado por
um dos narradores (Camilo, certamente, que, porém, ouvira a história deste
casamento feliz, da boca de António Joaquim, amigo do três). O narrador
principal vira e admirara o ainda apaixonado casal («dos dous casados – não
podiam ser outra cousa»), a passear amorosamente «naquelas frescas e saudosas
carvalheiras de Santo António das Taipas.» (O narrador Camilo desculpa-se da
curiosidade e do que viu, uma vez que ele «não podia ser visto, acocorado como
estava entre a ramagem de uns amieiros, pescando [bogas] á cana», no rio Ave.
[Branco, 1861: 10 e 12]
Será
necessário identificar «o historiador de frei Bartholomeu dos Martyres»,
referido no fragmento?!...
Nos dois próximos
posts deste blogue abordarei outras
referências explícitas do Escritor ao arcebispo bracarense. Por isso,
[Continuará]
NB - Em todas as citações, respeitei a grafia das edições consultadas.
Leituras
AA.VV., 2014: D. Frei Bartolomeu dos Mártires (Colectânea de Textos). Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo. (Org. de Rui A. Faria Viana).
BRANCO, C. C., 1861: Doze Casamentos Felizes. Porto: Tipografia da Revista.
CABRAL, A., 1981: Polémicas de Camilo Castelo Branco (Vol. V). Lisboa: Horizonte.
----------------, 1989: Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa: Caminho.
SOUSA, Frei Luís de, 1984: A Vida de D. Frei Bertolameu dos Mártires (...). Lisboa: IN-CM.
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