quinta-feira, 29 de maio de 2014

009. Camilo & os irmãos Barbosa e Silva [09]

          em O Vinho do Porto (1884) [I]



Há 130 anos, a 20 de abril de 1884, Camilo concluía O Vinho do Porto – Processo de uma bestialidade ingleza, sendo editado, no mesmo ano, pela Livraria Civilização do Porto. A narrativa é dedicada a Thomaz Ribeiro (então ministro do reino, também destinatário invocado e convocado, ao longo do texto-discurso) com as seguintes palavras:

Como sei que o teu amor ás perfidas trêta e manhas de Inglaterra não é dos mais acrisolados, venho offerecer ao teu sorriso um SAPECIMEN de bestialidade ingleza. [Branco, 1884: 5]

   Não interessará, neste blogue, analisar miudamente o tal «processo da bestialidade», por não dizer respeito ao objeto e objetivo dos posts que neste sítio venho metendo. Objeto e objetivo que são, recordo, apresentar referências explícitas de Camilo a Viana e/ou aos seus amigos vianeses, com especial destaque para os irmãos Barbosa e Silva e, muito particularmente, ao benjamim da família – José.

O leitor começa e saborear a deliciosa prosa d’O Vinho do Porto e, a dada altura, passados cerca de 2/3 do livro, depara (e deve mesmo parar) com a seguinte passagem, onde o Escritor recorda a «instituição carpideira» de que fez parte, presidida por José Barbosa e Silva.

[Id., 1884: 71-73. (Adaptado)]

            O fragmento transcrito é suficientemente claro, a respeito da referência (respeitosa, como sempre) que Camilo faz ao seu grande amigo de Viana. E a propósito, fala das imitações e falta de originalidade daqueles que seguem, acriticamente, o estilo dos grandes escritores.
O acontecimento central de O Vinho do Porto é o naufrágio, nas águas do Douro, ocorrido em 12-V-1861, em que o barão de Forrester (J. James) «desapareceu d’este alfobre [Porto] de charlatães forasteiros, de um modo tragico, ha vinte e trez annos» [id.: 11-12]. Mas a sua «casa luxuosa na Ramada-Alta era o confluente dos próceres portuenses e da provincia vinícola», tais como «titulares, desembargadores-conselheiros, ministros de estado honorários, os maiores proprietários do Douro, e poetas arcádicos da pacotilha, que faziam dithyrambos ao jantar». [Id.: 15] A todos Camilo descreve com a graça, ironia e, por vezes, o sarcasmo que lhe são conhecidos:

Ora estes commensaes de Forrester, quasi todos vinhateiros, ignoravam, excepto dous ou trez, a lingua ingleza e desconheciam portanto o descrédito com que o amphitriao mareára os seus vinhos no mercado de Londres; mas o governo, que possuia idiomas como um Calepino, pegou de uma coroa de barão e pôl-a na cabeça de J. James - barão de Forrester. E, se não morre tão cedo, e faz nova edição das calumnias contra a mais rica e ameaçada industria portugueza - uma segunda edição peorada e mais incorrecta – o governo luso fasia-o visconde, não é verdade? [Id.: 25]
No naufrágio, pereceu também a referida Gertrudes. O Escritor recorda-a e confessa ter pensado dedicar-lhe «um artigo necrológico», como sinal de gratidão, à altura dos inúmeros favores que ela, graciosamente, dedicadamente, prolongadamente lhe prodigalizara.
Quem foi esta mulher, a quem o Escritor preferia chamar Gertrúria, e que favores e tais lhe concedeu ela, fica para o próximo post, a fim de não sobrecarregar este, ainda mais.
Quanto ao processo de uma bestialidade inglesa acerca do vinho do Porto, não há como ler O Vinho do Porto. Além de edições mais antigas, a mais recente data de 2000, prefaciada pelo escritor e camilianista José Viale Moutinho.
Mas sempre lhes direi que o dito processo consistia, como se deixa entrever no fragmento acima transcrito, em certos ingleses depreciarem o vinho do Douro, apesar de serem seus negociantes. E a bestialidade, consciente ou inconscientemente inscrita no mesmo processo, consistiu em autores ingleses, além de atacarem o vinho, não saberem distinguir a jeropiga portuguesa, da escrita com <j> da escrita com <g>. Naquele tempo, claro! E Camilo aproveita a questão gráfica e linguística para nos oferecer mais um belíssimo trecho das suas reminiscências:

Para corroborar o Forrester e açular as iras contra o vinho do Porto, o outro pamphletista, Whittaker, invoca a opinião unanime dos medicos inglezes que reputam o vinho procedente de Portugal uma peste para o estomago e para o figado; por quanto o summo da uva é quasi uma idea abstracta na moxinifada de aguardente, baga, melaço e jeropiga. Elle não escreve sem desculpavel horror a palavra JEROPIGA.

            E continuando, dirigindo-se ao seu grande amigo Tomás Ribeiro, o Escritor explica «o segredo d[est]a bestialidade inglesa», assim:

James Forrester, tão respeitador dos vinhos portuguezes como da nossa orthographia, tinha escripto “Jeropiga” com J. Parece que d'esta bagatella não devia surdir grande equivoco na percepção do pensamento; porém, succede que a palavra com G ou com J dá duas significações de coisas e serventias, e entradas e sahidas muito diversas. Whittaker, para saber radicalmente o que era Jeropiga, abriu o Diccionario portuguez de Constâncio, e encontrou: JEROPIGA, Ajuda, clyster, bebida medicinal.
Tremulo de indignação e livido de nôjo, brada o inglez: “Esta ultima expressão (bebida medicinal) é o mesmo que mézinha; quanto ás duas primeiras (ajuda, clyster) são a mesma coisa, tem o mesmo sentido, e dispenso-me de as traduzir. Que bellas coisas a gente bebe!”
Ó Thomaz Ribeiro, quem não sentiria vontade de mandar o inglez beber outras? [Id., 1884: 27-28]

Então, até à Gertrúria ou Gertrudes. Ou será Eufrázia?!...


NB – Respeitei a grafia das edição consultada, em todas as citações principais.


Leituras:
BRANCO, Camilo Castelo, 1884: O Vinho do Porto – Processo de uma bestialidade ingleza. Porto: Livraria Civilização.


sexta-feira, 4 de abril de 2014


008. Viana em Camilo / [«Tramoias d'Esta Vida» (1863)b*]



Terminava o post anterior perguntando se João Moreira, o brasileiro português de Esposende, protagonista destas tramoias camilianas, depois de chegar a Viana a caminho de Valença, teria encontrado aqui o soldado que havia avistado, para as bandas de Castro Laboreiro, Balbina Rosa.
Encontrou, sim senhor. José Torto, o tal soldado que havia reconhecido a sua conterrânea desaparecida, quando escoltava uns presos dos Arcos [de Valdevez] para outro ponto [ou seria posto?], estava no quartel. O comandante autorizou que o soldado n.º 24 da 4.ª companhia acompanhasse o tio de Balbina a Castro Laboreiro. E foi assim:

«Chegaram ao romper da manha do segundo dia de jornada aos montados de Entrime, e do pincaro mais levantado descortinaram em deredor os rebanhos que iam subindo das povoas escondidas nas gargantas da serra. Foram á falla com o primeiro pastor, que avistaram, e descobriram que havia em Castro Laboreiro uma rapariga ao serviço de um lavrador, vinda de longe, e chamada Francisca. Os signaes d’esta Francisca exactamente condiziam com os de Balbina. Devia ser ella. D’ali baixaram ao outeiro onde o soldado a topara, e, por felicidade de todos, ao dobrarem o cotovello de um barrocal, entreviram, ao travez da ramagem de uns carvalhos, a pastora, sentada á borda de um regato, que devia ser um braço da ribeira das Varzeas, a qual por ali se infiltra na aridez d’aquelles algares.» [Branco, 19083: 84**]





     {Será que Camilo se escondeu nestes montes e vales alto-minhotos quando, em 1860 (três anos antes da escrita e publicação de «Tramoias»), andou fugido, para não ser preso, com receio de ser degredado para África, na sequência do processo de adultério desencadeado pelo marido de Ana Plácido (1831-1895), Manuel Pinheiro Alves (1807-1863)? Talvez. O escritor mostra conhecer bastante bem a paisagem. Recorde-se que Ana Plácido tinha sido presa, em 6 de junho de 1860. Camilo acabou por se entregar quatro meses depois, a 1 de outubro. Cf. Cabral, 1989: 221, 2.ª col. Leia-se, também, Memorias do Carcere (vol. I), onde o Escritor nos conta a história da prisão do «senhor padre Manoel dos Arcos [de Valdevez]», seu colega presidiário na Cadeia da Relação do Porto, depois de ter estado na de Braga, por causa de «uns amores» com «uma mocetona» daquele concelho. [Cf. Branco, 18642: 160-166]}




Confirmados a identidade e parentesco, por um lado, e acordado o termo do trabalho da pastora, por outro, todos regressaram satisfeitos aos seus sítios e afazeres. Todos, menos Bernardo, filho do lavrador ex-dono da ex-criada ex-Francisca. O rapaz ficou inconsolável: amava a moça, coitado.
Empinado no cimo de uma colina, vê-a partir, saudoso e sofrido, afundado em lágrimas. E o autor-narrador aproveita para, num recorte ultra-romântico, associar as amarguras do amor não correspondido às agruras da agreste paisagem:

«Que alma de poeta soffreu já ahi cruz de saudade tão dolorosa? Que lagrimas se secaram n’aquellas penedias broncas! O desventurado lançou-se por terra e escondeu a face nas urzes. As suas lagrimas, ó traspassada alma, podia vêl-as o ceu, que eram puras!
[…]
Ninguem mais fallará de ti, pobre solitario das montanhas!
Vai chorar á margem d’esses regatos! As flores silvestres te dirão que as lagrimas de Balbina as fizeram reviçar em suas hastes ressequidas. Afaga esse cão que lhe lambia as mãos. Ahi tens a rez que se aninhava no regaço d’ella. […]
Ella lá vai!... Se alguma vez a vires, dirás comtigo:
– Parecia-se com esta fidalga uma pastorinha que eu amei, e ainda agora amo, nas minhas serras do Laboreiro!»



Pois, de facto, como fidalga deveria passar a viver, sob o mesmo luxuoso teto e fora dele, a sobrinha com o tio, uma vez chegados à residência do Porto. Porém (e repare-se como, na grande cidade, a filha da taverneira de Esposende é tratada),

«D. Balbina Rosa Moreira tinha criadas, que mal a conheciam, carruagem em que nunca sahia, e ricos vestidos que nem sequer examinava. / O tio passava em conversação com ella o maior numero de horas, bem que a historia da sua desgraça quiz ouvil-a uma só vez. / Tiral-a da solidão do seu quarto, fazêl-a erguer mão da costura, leval-a a theatros e recreações é que nunca vingara. Balbina, com a branda defeza das lagrimas, além de vencer, acareava a mais o amor do velho.»

É logo a seguir a esta transcrição que aparece a segunda referência explícita a Viana. Ao fim de um mês, João Moreira regressa aqui e logo depois ao Minho.
Para quê?

«Planeou o velho uma traça de vingança incruenta sobre o descaroado deshonrador de sua sobrinha. Na urdidura da trama é que elle anda. / Informou-se, e soube que o morgado de Pinhatel está hipothecando as suas propriedades, restantes da doação, que a consorte divorciada judicialmente levantou.»

“Afinal, havia outra!” – dirá o experiente leitor, das vidas deste mundo real e do mundo possível que as novelas camilianas o primeiro dramaticamente representam.
Havia: Perpétua: uma fidalga mais viva que o morgado. E tão vivida quanto ele, pelo menos, ou seja, nos máximos. O rico Gastão gastou (a aliteração e paronímia, aqui, ficam bem) com ela o resto dos bens que ainda possuía, até ficar pobre, paupérrimo, a viver de esmolas.
Assim começou esta sua nova relação, com esta sua nova amante:

«Aconteceu ver ele uma dama deslumbrante, de família genealógica, maior de vinte e oito anos, galhofeira, fascinadora, amestrada e esperta, á custa dos logros da poesia; prosa, em fim, mas belissima prosa. Amou-a; foi acolhido, e logo repellido; d’ahi a pouco amado, e outra vez aborrecido; um dia, requestado, e, no seguinte, desfeiteado. A resulta d’isto foi um dia casarem-se, com escripturas cavilosamente vantajosas para a noiva, que já sabia com quem as havia de ter.»

E depois? Bem, depois, terá o leitor de conhecer, lendo, em «Tramoias desta Vida», as relações de íntima aproximação e logo de violento afastamento que este casal de fidalgos mantém e suporta, até que o divórcio os separe. Entretanto, leitor, aprecie esta pérola:

«Rompeu a desordem. Gladiaram-se de língua até se retirarem de punhos cerrados cada um para seu quarto. Não se viram oito dias; e, para se verem, foi mister que o vigario interviesse na reconciliação com o Evangelho em punho, posto que para o caso sujeito tanto valesse o Evangelho, como o Alcorão. E tanto isto é verdade, que, quinze dias passados, assanharam-se de novo, e o padre voltou com o Evangelho, e sahiu corrido do que ouviu a respeito da religião. É que D. Perpetua, no acume do seu odio á aldêa, negava Deus; e Gastão, se já não fosse atheu, nem houvesse atheus, inventava-se atheu por ter havido um Deus que fez similhante mulher!»

Enquanto leem as tramoias em que se meteram – D. Perpétua, lá por Lisboa, D. Gastão de Mendonça, cá pelo Minho – sempre lhe direi que, para recuperarem algum estatuto social e económico, os dois desgraçados fidalgos contaram, uma e outro (ele, no Minho, mais que ela, em Lisboa), com a caridosa, generosa, preciosa ajuda e perdão de D. Balbina Rosa Moreira e do seu tio senhor João Moreira. Depois de mútuo acordo de vontades e sentimentos, cordial e religiosamente conversado, consentido e celebrado.
Morreram, pouco tempo depois. Ele, primeiro, e realmente. Ela, simbolicamente, ao recolher-se, oito dias depois, a um dos três conventos seus preferidos, e depois, de facto, entre finais de 1854 e princípios de 1855. E um desses conventos situava-se aqui em Viana.

«Morreu João Moreira. / Vários sujeitos do Porto, estimaveis a todos os respeitos, quando souberam, com o seu olphato de córvos inoffensivos, que o brazileiro era cadaver, e deixara uma sobrinha muito rica, rodearam os testamenteiros, uns allegando que eram gentis-homens, outros mostrando que eram homens gentis, outros recenseando a “fortuna” que esperavam reunir depois da morte de quatro tias e sete tios decrepitos. Os testamenteiros respondiam que escassamente conheciam a sobrinha do defunto, e sabiam que ella ia recolher-se no mosteiro de Villa do Conde, Vianna, ou Vairão. Estes galãs saíam atónitos da seráfica brutalidade da herdeira. E attribuiam a mania á influencia dos fautores do Immaculado Coração de Maria, por não terem ainda os Lazzaristas á sua disposição.»

Mas que mosteiro seria esse?
Nem mesmo depois de morta esta mártir-heroína do amor (como tantas outros protagonistas femininos de novelas camilianas) o autor-narrador revela o convento, dos três por ela preferidos, onde entrou e onde, a breve termo, se finou, possivelmente, em finais de 1854. Indica apenas que, no começo do ano seguinte, um personagem deste conto foi «á portaria do mosteiro de*** perguntar pela saude da secular Balbina Rosa Moreira.» Como tinha feito, antes, quatro vezes em cada ano, sem, contudo, nunca ter chegado a vê-la.

E quem seria esse personagem? O escritor identifica-o. Mas prefiro propor ao leitor deste post que ainda não chegou ao fim das tramoias destas vidas por Camilo contadas, que coloque, a seguir, a cruz, na quadrícula correspondente à hipótese mais provável. Recorde que o conto é, como advertiu o autor, moral.


Que personagem, em «Tramoias d’Esta Vida», ia ao mosteiro saber de Balbina Rosa?

a) O velho fidalgo Gastão de Mendonça?

b) O soldado do regimento de Valença, José Torto?

c) Bernardo, o filho do lavrador de Castro Laboreiro?

d) O lavrador de Castro Laboreiro?

e) D. Perpétua?

f) Outro? (Neste caso, quem? R:________________________________________)


Foi, certamente, alguém que viveria não muito distante desse anónimo convento. Que bem podia ser o de Sant’Ana (1510-1895) ou o de S. Bento (1550-1891) [cf. Alpuim, 1979; Pinho, 2009 e 2010], que eram dois conventos femininos que em Viana ainda existiam, na altura, e para onde poderia ter entrado, nos primeiros anos de 1850, a secular Balbina Rosa Moreira.


Estes conventos eram ambos beneditinos, localizados, curiosamente, muito próximo um do outro, nesta nova cidade de Viana do Castelo. Nova, porque a vila de Viana do Minho havia sido elevada à categoria de cidade, por carta régia da Rainha D. Maria II, em 20 de janeiro de 1848, com a designação de Viana do Castelo. Mas que, durante largos e largos anos, continuou a ser identificada e (re)conhecida, na fala e por escrito, simplesmente por Viana, afetivamente. Viana que o homem e escritor, digo, homem-escritor Camilo, à sua particular maneira crente e religioso, por um lado, e curioso e inquieto andarilho, por outro, bem conhecia. Por ter visitado e percorrido, sozinho ou seguido pelo seu inseparável Martírio (cão), ou na companhia dos seus mais fieis amigos vianeses, os dois irmãos José e Luís Barbosa e Silva.

As muitas e, por vezes, extensas referências que o grande escritor faz, com maior frequência a Viana do Castelo, mas também a outras terras do Alto-Minho, são a prova indelével das relações que Camilo estabeleceu e firmou com esta cidade e esta região. Como acontece em Cenas da Foz (1857) e A Bruxa de Monte-Córdova (1867), como já mostrei em Rodrigues 2013, e acabei de mostrar, neste e no post anterior, em «Tramoias desta Vida» (1863), posts estes que são resumos do artigo publicado em Rodrigues, 2013a.

Hei de continuar, em futuros post, a ler e a dar a ler como, também em outras obras, Camilo perpetua o nome da cidade de Viana do Castelo. O que, para bom entendedor…

* Este post, continuação do anterior, é uma versão reduzida (e adaptada ao presente formato e tipo de edição), de parte de artigo publicado no tomo 47 (2013) Cadernos Vianenses. [Cf. Rodrigues, 2013a)
** A fim de não sobrecarregar o post, com as páginas das citações, informo que a narrativa ocupa, na edição consultada [19083], as pp. 71 a 112, e que, de ora em diante, as citações efetuadas neste texto se encontram entre elas, passim. Mais informo que citações não ipsis verbis vão em itálico.

NB - O desenho da imagem representando um serrana de Castro Laboreiro é de Manuel Couto Viana e foi retirada de Roteiro de Viana, 1969, s/p. «A Mulher de Castro Laboreiro» seguinte encontra-se AQUI.

  
LEITURAS
ALPUIM, Maria Augusta d’, 1979: «Carmelitas em Viana». Cadernos Vianenses (Tomo II). Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo; pp. 124-132.
BRANCO, Camillo Castello, 19642 (1.ª ed. 1862): Memorias do Carcere (vol. I). Porto: Casa Viuva Moré – Editora.
----------, 19083 (1.ª ed. 1863): «Tramoias d’Esta Vida», em Noites de Lamego. Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira; pp. 71-112.
CABRAL, 1989: Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa: Caminho. (2.ª ed., 2003).
PINHO, Isabel Maria Ribeiro Tavares de, 2009: «As Carmelitas do Desterro de Viana do Castelo», em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/9421.pdf (Consulta em 25-10-2013).
----------, 2010: Os Mosteiros Beneditinos Femininos de Viana do Castelo -  Arquitectura Monástica dos Séculos XVI ao XIX (2 vols.). Porto. (Dissertação de Doutoramento em História da Arte Portuguesa apresentada à Faculdade de Letras da Universidaxde do Porto), em: http://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/53882 (Consulta em 25-10-2013).
RODRIGUES, David F., 2013: «Viana & Camilo – Presenças e situações». A Falar de Viana (Vol. II, Série 2). Viana do Castelo: Vianafestas, pp. 205-213.
----------, 2013a: «Viana em Camilo: [“Tramoias d’esta Vida” (1863)]». Cadernos Vianenses, Tomo 47. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo; pp. 113-127.
----------, 2013b: Viana em Camilo / [«Tramoias d’esta Vida» (1863a)]. AQUI.
VIEIRA, José Augusto, 1986/87: O Minho Pittoresco (Tomo I e II). Valença: Rotary Clube de Valença; p. 3. (Reedição da 1.ª ed., 1886/87, Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira).

                                                                                                                                                   [Continuará]


terça-feira, 25 de março de 2014

007. Viana em Camilo / [«Tramoias d'Esta Vida» (1863)a*]


Tramoias desta Vida é um conto que Camilo publicou, em 1863, no jornal lisboeta Revolução de Setembro e que, nesse mesmo ano, integrou na coletânea Noites de Lamego, título que o próprio, no prefácio, considera «abstruso». [Cabral, 1989: 448-449 e 562-563] Assim:

[Branco, 19083: 5**]

Tramoias é um «conto moral». Ver-se-á, depois, porquê. Assim o classifica o escritor-autor-narrador (nem sempre é fácil distinguir estas instâncias narratológicas na obra camiliana), que informa, ainda, em nota, ter sido pessoa fidedigna que lhe contou a história, «acontecida, ha quinze anos, na villa de Esposende e em outras partes».
Esta nota constitui uma clara estratégia discursivo-narrativa dupla. Por um lado, de veracidade ou, pelo menos, de verosimilhança; por outro, de sedução, fazendo do leitor seu narratário mais ou menos explícito e dialogicamente cúmplice. Estratégia que se mantém ao longo da narrativa e que é, como se sabe, uma das características do estilo camiliano.


A ação da narrativa começa, de facto, em Esposende. Mas passa também por outras terras: «Pinhatel» (localidade que, a ter existido, se situaria no distrito de Braga, mas que ainda não localizei), Castro Laboreiro, e cidades do Porto e Lisboa, para referir os principais lugares onde se deram os acontecimentos narrados mais relevantes. E ainda Vila do Conde: dois dos três conventos preferidos por um dos personagens, onde, num deles, acabou por se recolher e falecer, situavam-se neste concelho. O terceiro situava-se em Viana, onde, naquele tempo (à volta de 1855), se mantinham abertos seis conventos, entre masculinos e femininos. Mas Camilo não revela o nome nem a localização desta casa religiosa.

Ao longo do Tramoias, o Escritor nomeia Viana, explicitamente, por três vezes. A primeira encontra-se no seguinte transcrito:

Agora vamos em cata d’elle ao Alto Minho. Vai o leitor pasmar-se d’aquellas bem-aventuradas margens do Lima. Entra comigo em Vianna, na louçã namorada do oceano, n’aquella esquiva formosa que vacilla entre deixar-se amar das ondas, que lhe beijam os pés, ou dos arvoredos que lhe enramam a fronte. Agora, vamos n’este barquinho rio acima até Ponte do Lima. Não se me fique arrobado n’este ondear de esmeralda que a viração balança, que receio me deixe ir sosinho em procura do Brazileiro. Aquillo são bosques, que escondem moitas arrelvadas, e meandros de fontes, e amores de aves, e amores de damas castellãs, que por ali se escondem mais conhecidas das estrellas que nossas, e mais conhecidas ainda dos fáunos illustrados do sítio que das estrellas.
Aqui estamos na velha Ponte. Iremos por terra a Valença, que é um ir sempre ao debaixo de abobodas de verdura.

Este personagem, em cata e na peugada (dirá depois) de quem o escritor/narrador quer ir, acompanhado pelo leitor/narratário – «vamos» e «Vai o leitor pasmar-se» – é João Moreira, um brasileiro (português de torna-viagem) que se dirige para Valença, com passagem pela velha Ponte [do Lima]. Respeitosamente «velha», no sentido de vetusta, quererá dizer Camilo, referindo-se tanto à via como à vila. Ou não soubesse este cultíssimo autor que tanto uma (romana e medieval) como outra (fundada em 1125) são de muita antiguidade.
Viana nas Tramoias de Camilo recebe uma descrição geográfica, poeticamente lírica e bucólica, bem como o seu rio e paisagens envolventes, e, de passagem, uma breve alusão à verdura do Alto Minho. São pormenores de pouco interesse para a história, mas que, por isso mesmo, mostram e confirmam as relações simpáticas de Camilo para com Viana e a presença de Viana em Camilo. É um louvor do escritor-poeta às belas condições geográficas e naturais desta terra, em particular, e do Alto Minho, em geral. Nele, o escritor/narrador aponta e dá a ver, como se um guia turístico fosse, ao leitor/narratário, as belezas paisagísticas da cidade e de parte da região. Mas é também, implicitamente, a expressão do apreço e consideração que Camilo tinha pelos seus inseparáveis amigos vianeses, com os irmãos Barbosa e Silva à cabeça, aos quais se sentia profundamente unido por laços muito fortes, quase fraternos, como se sabe(rá).

Mas, além de brasileiro – perguntar-me-á o leitor que ainda não leu ou já esqueceu a história – (i) quem é este João Moreira e (ii) que vai ele fazer a Valença?
Convirá, todavia, antes de (cor)responder, referir que este brasileiro, português de Esposende, não se enquadra no brasileiro-tipo (e típico) camiliano. João Moreira não é, a nível humano e social, como os outros emigrantes do século XIX que o Escritor frequentemente ridiculariza, em novelos mais ou menos enredados das suas novelas.
Regressa também endinheirado, como tantos outros, do Brasil, para onde emigrara menino, tal como o Jacinto de Deus e Aquino, d’A Bruxa de Monte Córdova, que aqui em Viana embarcou. [Cf. Rodrigues, 2013 e/ou 2014] João teria uns dez anitos, quando deixou, em Esposende, os pais e com eles a única irmã – Serafina – um nadita mais velha que ele, possivelmente.
Como outros brasileiros, também ele procura libertar da pobreza os familiares que em Portugal deixou pobres e pobres continuam. Todavia, não o faz de forma interesseira, nem ostensiva e ostentosa. Não regressa carregado de anéis e correntes, não fuma grossos charutos nem usa bengala encastoada. Não é gordo de corpo nem traz espírito engordurado. Não negoceia afetos nem casamentos. Não compra títulos nem comendas. Não corrompe padres nem consciências. Não afronta nem confronta.

 É, porém, um sexagenário, viúvo e solitário.

Quando estava rico e velho, morreu-lhe a mulher, e, no breve termo de um anno, seus tres filhos. Lembrou-se então de Esposende e da irmã. Estava só, amargurado, contemplador melancolico, de sua inutil riqueza. / Veiu, então, para Portugal em busca de familia, e envergonhado de, só á hora do desamparo, procurar sua irmã.

À terra natal chegou, passados cinquenta anos, e como forasteiro, anónimo e irreconhecível pela da parentela e patrícios quis passar. Do Brasil, correspondência ainda manteve com os pais, enquanto vivos foram. Depois, «casou, trabalhou, enriqueceu para os filhos, e esqueceu-se da patria e da irmã».
Frente à casa paterna, verifica que já não era a irmã quem nela morava. A nova proprietária informou-o de que a taverneira tia Serafina da Tenda enviuvara e, há dois anos, falecera. Com o enorme desgosto que lhe dera a filha – Balbina Rosa. Coitada, «chorou até morrer, e poucas semanas chorou» – comentava-lhe a nova inquilina da antiga casa paterna.
João Maria fica, assim, sabendo que, dos parentes mais próximos, só lhe restava a filha única da irmã e, por isso, sua sobrinha. Só que Balbina, depois de requestada pelo morgado de Pinhatel – Gastão de Mendonça – fugiu de casa e entrou no solar do fidalgo, «homem de quarenta anos, vicioso, dissipador e escalavrado pela libertinagem». Ela, pelo contrário, «tinha dezesseis anos, costumes irreprehensiveis, muita saude e muita alegria.»
Não tardou, porém, que o nobre Gastão, aumentativo em nome e defeitos, «de linhagem tão antiga, que se apagava nas trevas da mythologia», se cansasse e aborrecesse dela. Balbina, torturada pelas mil agulhas do remorso, não parava de chorar a mãe que abandonara e entretanto falecera. O morgado, enfastiado, partiu em requesto de outras, «ora no Porto, ora na Foz, amando em toda a parte, com applauso de sua vaidade, inveja dos rapazes e beneplacito de illustres damas, menos mal comportadas, na impeccavel opinião publica.» De vez em quando, regressava, para vender propriedades. Mas logo tornava à Foz, «onde perdêra, jogando, o dinheiro de outras, que tinha vendido.»
Um dia, porém, ao regressar, não encontrou Balbina. A moça sentiu-se abandonada, traída e, acima de tudo, desamada. Os criados informaram o patrão que ela tinha abandonado o solar, sem deixar rasto nem destino. Em Pinhatel, pensava-se que tinha regressado a Esposende. Em Esposende, desconhecia-se-lhe o paradeiro. Desparecida, rezaram-lhe pela alma: ter-se-ia atirado ao Cávado.
Mas não. A nova proprietária da casa da falecida Serafina informou o brasileiro desconhecido que um moço lá da terra, soldado no regimento de Valença, a tinha topado na serra do Laboreiro, pastora de cabras. João decide procurar o sodado, na esperança de que ele o ajude a encontrar Balbina.


É, neste momento da história, começada em Esposende, que entra em cena, pela primeira vez, Viana, conforme o trecho acima transcrito. João Moreira chega aqui, certamente de barco, e de barco segue até Ponte de Lima. Vai, depois, para Valença, sob as tais abóbodas de verdura, certamente por velha estrada e caminhos velhos, com pedras e vestígios ainda da antiga via romana Braga – Tui.
Terá o brasileiro encontrado o tal soldado e, com ou sem ele, chegado à sobrinha?...
Ver-se-á no próximo capítulo, perdão, post. A não ser que queiram (re)ler, entretanto, o conto contado por Camilo. Porém, se o fizerem, avisem-me, por favor. Sempre me livrarão da próxima tramoia. Porque, se o não fizerem, lá terão de me aturar noutra postagem.
 [Continuará]

* Este post é uma versão reduzida (e adaptada ao presente formato e tipo de edição), de parte de artigo publicado no tomo 47 (2013) Cadernos Vianenses. [Cf. Rodrigues, 2013a)
** A fim de não sobrecarregar o post, com páginas de citações, informo que a narrativa ocupa, na edição consultada [19083], as pp. 71 a 112, e que, de ora em diante, as citações efetuadas neste texto se encontram entre as pp. 71 e 83, passim. Mais informo que citações não ipsis verbis vão em itálico.

Leituras
BRANCO, Camillo Castello, 19083 (1.ª ed. 1863): «Tramoias d’Esta Vida». Em Noites de Lamego. Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira; pp. 71-112.
CABRAL, 1989: Dicionário de Camilo Castelo Branco. Lisboa: Caminho. (2.ª ed., 2003)
RODRIGUES, David F., 2013: «Viana & Camilo – Presenças e situações». A Falar de Viana (Vol. II, Série 2). Viana do Castelo: Vianafestas, pp. 205-213.
----------, 2013a: «Viana em Camilo: [“Tramoias d’esta Vida”]. Cadernos Vianenses, Tomo 47. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo; pp. 113-127.
---------, 2014: 002. VIANA EM CAMILO [01] / [A Bruxa de Monte Córdova (1867)]. AQUI.

domingo, 16 de março de 2014


006. Camilo faz hoje 189 anos.

A 16 de março de 1825, nascia, em Lisboa, em prédio situado na Rua da Rosa (Bairro Alto), um indivíduo do sexo masculino que, segundo o respetivo assento de batismo (14 de abril), celebrado na Igreja dos Mártires (Chiado), era «filho natural» de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, solteiro, e de «mãe incógnita». Este Manuel Joaquim, irmão do célebre Simão Botelho do Amor de Perdição, era de assumida ascendência nobre, da então conhecida família «Brocas» de Vila Real.


Faz, hoje, por isso, 189 anos que esse menino, pela sua extraordinária vida-e-obra ou obra-e-vida se tornou e para sempre ficará como uma das figuras mais importantes e controversas da literatura em português criada. A tal ponto e de tal modo que, desde meados do séc. XIX, é conhecido pelo primeiro nome – CAMILO. E

Três sílabas. Tanto basta para nomear o mais popular e mais português dos nossos criadores modernos. [Lourenço, 1994: 219]

Camilo ficou totalmente órfão em 1835, com a morte do pai, em 22-XII. A ignorada sua mãe havia falecido já em 1827. O conselho de família, então constituído em Lisboa, decidiu entregar o menino e sua irmã Carolina, mais velha quatro anos, aos cuidados de uma tia paterna, Rita Emília, residente em Vila Real. Acompanha as duas crianças a última regente da casa e incógnita madrasta dos filhos de Manuel Joaquim.
Na sequência desta decisão, cujos pormenores não caberá agora referir, o menino Camilo (tinha perto de onze anos) atravessou, pela primeira vez, o Alto Minho, em 1836. A viagem de Lisboa fez-se por mar. O destino era o Porto. Uma tempestade, porém, levou ao desembarque dos passageiros em Vigo. Daqui, seguiram, por terra, para Vila Real. O Escritor recordará, mais tarde, as impressões indeléveis que estes acontecimentos lhe deixaram no espírito.
Camilo refere-se, em vários títulos da sua vastíssima obra, a este marcante acontecimento da sua vida. Marcante não só pela tormentosa viagem, mas também por ter ocorrido poucos meses após a morte do pai, a cuja agonia assistira e cujas últimas palavras recordará:

"Que será de ti, meu filho, sem ninguém que te ame!..." [Branco, 1864: 15][i]


É precisamente No Bom Jesus do Monte que o Escritor, no capítulo «1835-II»[ii], descreve a referida viagem, depois de ter relatado, em I, a morte do pai [id.: 13-15]. Dedicado ao arqueólogo vimaranense Francisco Martins Sarmento, outro dos seus grandes amigos, No Bom Jesus do Monte, recorde-se, é um conjunto de narrativas, centradas nos anos em que Camilo mais íntima e profundamente se sentiu atado à estância bracarense. No frontispício da coletânea, autocitando-se, transcreve do «Discurso Preliminar» de Memórias do Cárcere, a passagem seguinte, significativa ao nível dos afetos que, desde muito cedo, prendiam o Escritor ao Bom Jesus:


Áquellas florestas sinto eu atado ainda o coração por mui tragadoras lembranças. Em diversas estações da minha vida lá fui a conversar com o passado que ahi me florira, ou a inflorar esperanças que reverdeceram no pó d’outras que se desfizeram. [Branco, 1864: frostispício][iii]


Eis, agora, o trecho em que, No Bom Jesus do Monte, Camilo recorda a parte final da viagem marítima e, por terra, de Vigo a Braga, a caminho de Vila Real:

[Branco, 1864: 16-18]

No templo do Bom Jesus, acompanhando a irmã e a ama, sentiu o menino Camilo, órfão de onze anos, sentimentos estranhos. Mas essa confissão ficará para outro post. Como para outros posts ficarão outras passagens de outras obras em que o Escritor se refere à mesma viagem e/ou aos sentimentos que o ataram ao éden de Braga.

O Romancista nomeia Valença e Ponte de Lima, mas não recorda nem regista qualquer peripécia que tivesse ocorrido, durante a célebre viagem, no distrito de Viana. Nem descreve caminhos e paisagens do Alto Minho por onde terá passado. Mas José Rosa de Araújo, calcorreador e perscrutador dos velhos caminhos da região, imagina, em artigo publicado nos Cadernos Vianenses, como terá sido essa «primeira viagem de Camilo». Remeto o interessado para o sítio, na edição do tomo respetivo, também já disponível online, em Araújo, 1984. O meu estimado leitor não há de querer que lhe faça a papinha toda, pois não?!...

Leituras
ARAÚJO, José Rosa de, 1984: «A primeira viagem de Camilo». Em Cadernos Vianenses (Tomo VIII). Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo; pp. 49-56. Também AQUI.
BRANCO, Camilo Castelo, 1864: No Bom Jesus do Monte. Porto: Viúva Moré, Editora.
-----------, 18642: Memórias do Cárcere (tomo I). Porto: Viúva Moré, Editora.
CLÁUDIO, Mário, 20072: Camilo Broca. Lisboa: Dom Quixote.
LOURENÇO, Eduardo, 1994: «Situação de Camilo». Em O Canto do Signo. Existência e Literatura (1957-1993). Lisboa: Presença; pp. 219-226.


[i] Para um relato romanceado da infância de Camilo, seja-me permitido recomendar a leitura de Camilo Broca, de Mário Cláudio [2006, 20072]. Existe também edição em e-book.
[ii] Cabe observar que, não obstante o título do capítulo e afirmação de Camilo, no final do excerto, a viagem se realizou em 1836 e não em 1835. Sabe-se como Camilo confundia datas e outras «bagatelas».
[iii] Curiosamente, a parte final desta citação não é totalmente coincidente com que encontra na segunda edição de Memórias do Cárcere. Aqui está: «… esperanças que reverdejavam do pó d’outras desfeitas». [Cf. Branco 18642 (I): XLVIII]